BEM BRASIL
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Postado em: 20/08/2026 - 16:23 Última atualização: 20/08/2026
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Golpes com dados pessoais exigem atenção redobrada de idosos em Araxá

Especialista do INSER orientou ouvintes sobre vazamento de informações, empréstimos consignados e medidas que podem ser tomadas após uma fraude

A principal recomendação discutida durante o programa foi agir com cautela antes de fornecer qualquer informação ou realizar uma operação financeira. Foto: Manoelita Chagas

Os golpes financeiros que utilizam dados pessoais e informações bancárias foram tema do programa Vida Ativa 60+, da Rádio Imbiara, em Araxá, nesta quarta-feira (19). Durante a entrevista, Eduardo Maia, presidente do Instituto de Desenvolvimento Humano (INSER), explicou como criminosos podem utilizar informações obtidas de diferentes formas para dar credibilidade às abordagens e tentar convencer principalmente idosos a realizar transferências, contratar empréstimos ou fornecer novos dados.

A discussão também abordou a responsabilidade das instituições na proteção das informações dos clientes e os cuidados que devem ser adotados diante de contatos suspeitos. Segundo a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), incidentes envolvendo dados pessoais que possam causar risco ou dano relevante aos titulares devem ser avaliados e, em determinadas situações, comunicados à autoridade e aos próprios titulares.

Dados pessoais podem aumentar credibilidade dos golpes

De acordo com Eduardo Maia, uma das primeiras etapas de determinados golpes consiste justamente na obtenção de informações que permitam ao criminoso se apresentar de maneira convincente. Nome, dados financeiros e outras informações pessoais podem ser utilizados para fazer com que uma ligação ou mensagem pareça legítima.

Durante o programa, o presidente do INSER destacou que o vazamento não necessariamente ocorre de forma institucionalizada pelas empresas. A avaliação apresentada por ele é de que informações podem ser desviadas por pessoas que têm acesso a sistemas e acabam repassando esses dados ilegalmente. “O banco não passa esses dados de forma institucionalizada. Mas alguém que tem acesso a essas informações dentro do banco vende, repassa para bandidos.”

A legislação brasileira estabelece regras para coleta, armazenamento, utilização e compartilhamento de dados pessoais. O Banco Central também determina que instituições financeiras mantenham procedimentos de identificação, segurança, sigilo e proteção contra acessos não autorizados às informações dos clientes. Consulte as orientações da ANPD sobre incidentes de segurança

Responsabilidade das instituições é discutida

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a responsabilidade das instituições financeiras quando informações de clientes são utilizadas em fraudes. Eduardo Maia defendeu que os bancos devem demonstrar que adotaram medidas adequadas para proteger os dados sob sua responsabilidade. “Se você tem uma responsabilidade sobre a proteção dos dados, é sua obrigação garantir que esses dados não sejam vendidos, vazados.”

A discussão jurídica, porém, pode depender das circunstâncias de cada caso e da análise das provas. A ANPD orienta que, diante de uma fraude envolvendo dados pessoais, o cidadão comunique a instituição financeira ou empresa envolvida e, conforme a situação, registre boletim de ocorrência. A agência ressalta ainda que crimes praticados com utilização de dados pessoais devem ser investigados pelas autoridades policiais.

O Banco Central informa que as instituições autorizadas devem adotar mecanismos para verificar a identidade dos clientes, garantir a segurança das transações e proteger informações contra acesso ou utilização não autorizados. Também existem regras para o compartilhamento de informações sobre indícios de fraudes entre instituições financeiras.

Aposentados estão entre os alvos

Durante o programa, uma ouvinte relatou ter sido procurada por uma financeira logo depois de descobrir que sua aposentadoria havia sido concedida. Segundo o relato, a instituição já sabia que ela havia se aposentado e qual banco seria responsável pelo pagamento do benefício.

Para Eduardo Maia, situações desse tipo merecem atenção e devem ser comunicadas aos canais oficiais. Ele orientou que o beneficiário registre a ocorrência para que o problema possa ser identificado e eventualmente investigado. “Uma previdência sempre bem interessante é procurar a ouvidoria do INSS e registrar a informação.”

O próprio INSS alerta que criminosos utilizam dados pessoais de segurados, especialmente idosos, para aplicar fraudes. O instituto reforça que não solicita dados pessoais por telefone, mensagens ou visitas para procedimentos como prova de vida.

Em relação aos empréstimos consignados, o INSS recomenda que beneficiários não compartilhem informações pessoais, logins ou senhas por telefone, aplicativos de mensagens, redes sociais, e-mail ou SMS. Também é possível bloquear o benefício para novos empréstimos pelo Meu INSS ou pela Central 135. Confira as orientações oficiais do INSS sobre empréstimos consignados e segurança

O que fazer depois de cair em um golpe

Segundo as orientações apresentadas no programa, a reação rápida pode ser importante para tentar reduzir os prejuízos. Em casos envolvendo transferência ou Pix, a recomendação é entrar imediatamente em contato com o banco ou instituição responsável pela operação e informar a fraude.

Eduardo Maia também orientou que a vítima registre um boletim de ocorrência e altere as senhas utilizadas em cartões e serviços financeiros. “Informar a instituição financeira ou o órgão público que, eventualmente, teria entrado em contato, fazer um boletim de ocorrência, cancelar todas as senhas dos seus cartões de crédito, de débito e refazer.”

O registro policial também pode ajudar a documentar que os dados da vítima foram utilizados de maneira fraudulenta. A ANPD recomenda a comunicação à instituição envolvida e, dependendo do caso, a formalização da ocorrência junto às autoridades policiais.

O entrevistado alertou ainda para uma prática comum em golpes digitais: o compartilhamento da tela do celular ou a realização de chamadas de vídeo com desconhecidos. A orientação apresentada no programa foi para não abrir a câmera, compartilhar a tela ou fornecer senhas e códigos durante contatos suspeitos. “Qualquer contato que você tenha, nunca abra a sua câmera, não se deixe filmar ou fotografar, não abra uma chamada de vídeo, não faça compartilhamento da sua tela.”

O Banco Central também orienta os consumidores a não clicar em links suspeitos e a não fornecer senhas ou informações pessoais em contatos não solicitados. A instituição mantém ainda o BC PROTEGE+, serviço gratuito que permite informar ao sistema financeiro que a pessoa não deseja a abertura de contas em seu nome. Acesse o BC PROTEGE+ e outras ferramentas de proteção do Banco Central

Golpes podem envolver diferentes situações

Durante a conversa, foram citados exemplos de abordagens que podem chegar por telefone, WhatsApp ou outros canais digitais. Entre elas estão falsos funcionários de bancos, supostos parentes pedindo dinheiro, falsas comunicações do INSS, ofertas de empréstimos com condições fora da realidade e contatos de pessoas que afirmam ser advogados responsáveis por processos judiciais.

A orientação é desconfiar de situações que criem urgência, pressão ou solicitem transferências e informações pessoais. Quando houver dúvida, o ideal é interromper o contato e procurar diretamente a instituição ou profissional por um canal oficial.

O Banco Central mantém orientações sobre diferentes modalidades de fraude e reforça que instituições financeiras devem adotar mecanismos de segurança para reduzir a ocorrência de golpes. Em agosto deste ano, a Polícia Federal também divulgou uma operação que investigou um esquema envolvendo benefícios do INSS e contratação fraudulenta de empréstimos consignados, mostrando que fraudes relacionadas a dados previdenciários continuam sendo alvo de investigações.

A principal recomendação discutida durante o programa foi agir com cautela antes de fornecer qualquer informação ou realizar uma operação financeira. “Prevenir é sempre melhor do que remediar.”

Em caso de suspeita de fraude, a orientação é procurar a instituição envolvida por canais oficiais, registrar boletim de ocorrência e acompanhar movimentações bancárias e benefícios. Para aposentados e pensionistas, também é importante consultar regularmente o extrato do benefício e verificar se existem descontos ou empréstimos que não foram contratados.