Encontro realizado no Clube Araxá integrou a programação do Agosto Lilás e abordou acolhimento, encaminhamento, medidas protetivas e atuação integrada da rede de proteção
Profissionais de diferentes áreas que atuam no atendimento a mulheres em situação de violência participaram, nesta quinta-feira (27), de uma capacitação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica em Araxá. Realizado no Clube Araxá, das 13h às 17h, o encontro integrou a programação do Agosto Lilás e teve como objetivo aprimorar os fluxos de acolhimento, orientação e encaminhamento das vítimas.
A formação reuniu representantes da assistência social, saúde, educação, segurança pública e Justiça, além de integrantes de organizações do terceiro setor, conselhos de direitos e outras instituições que fazem parte da rede de proteção. A proposta foi ampliar a integração entre os serviços para que as mulheres encontrem atendimento adequado independentemente da porta de entrada pela qual procurem ajuda.
Temas abordados
Entre os assuntos trabalhados durante a capacitação estiveram a identificação das diferentes formas de violência, o acolhimento humanizado, a escuta qualificada, os fluxos de atendimento e encaminhamento, a atuação conjunta entre os setores e a garantia de direitos.
A programação contou com a participação da psicóloga do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), Bruna Andrade, que abordou a trajetória das leis e políticas públicas voltadas às mulheres. A coordenadora do CRAM, Maria Cecília Lemos, apresentou informações sobre a estrutura de atendimento e acolhimento disponível na rede.
Também participaram o sargento André, da Rádio Patrulha de Proteção à Mulher, que tratou do atendimento às vítimas e das intervenções junto aos autores de violência, além de representantes do Judiciário e da Polícia Penal. Eles apresentaram informações sobre o monitoramento de vítimas que possuem medidas protetivas em situações nas quais os autores utilizam tornozeleira eletrônica.
A capacitação foi encerrada com o depoimento de uma mulher que vivenciou uma situação de violência e conseguiu superá-la. A atividade buscou aproximar a atuação dos profissionais da realidade enfrentada por vítimas e reforçar a importância de uma abordagem que considere não apenas o encaminhamento, mas também o acompanhamento durante o processo de proteção.
Violência contra a mulher
A necessidade de qualificar os serviços de atendimento também aparece nos dados nacionais. Segundo o Ministério das Mulheres, o Ligue 180 registrou 1.088.900 atendimentos em 2025 e 155.111 denúncias de violência contra mulheres, número 17,4% superior ao registrado no ano anterior. Minas Gerais ficou entre os estados com maior número de denúncias, com 13.421 registros no período.
Os dados mais recentes também mostram a predominância da violência psicológica entre os registros feitos pelo canal. Em 2025, foram contabilizadas mais de 339 mil ocorrências desse tipo, que incluem situações como ameaças, humilhações, controle e manipulação.
O Ligue 180 é gratuito, funciona 24 horas por dia e oferece orientação sobre direitos, serviços especializados e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes. O atendimento também pode ser realizado pelo WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180. Em situações de emergência, a orientação oficial é acionar a Polícia Militar pelo 190.
A capacitação realizada em Araxá encerrou uma das ações do Agosto Lilás com foco na preparação dos profissionais que integram a rede local, reforçando a importância da atuação articulada entre os diferentes serviços envolvidos na proteção das mulheres.