BEM BRASIL
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Postado em: 28/08/2026 - 17:05 Última atualização: 28/08/2026 - 17:25
Por: Manoelita Chagas/Caio César - Portal Imbiara

Mercado pet cresce em Araxá e amplia oferta de produtos e serviços para animais

Setor movimenta alimentação, medicamentos, estética, aquarismo e cuidados veterinários, enquanto consumidores buscam alternativas para equilibrar os gastos

O aquarismo também aparece entre os segmentos que ganharam espaço. Foto: Manoelita Chagas

O mercado de animais de estimação vem ganhando espaço nos lares e também na economia de Araxá. O assunto foi discutido durante o programa Conexão Imbiara, na manhã da última quinta-feira (27), com a participação da médica-veterinária Florence Almeida, responsável técnica da Bicho Mania, empresa que atua há 20 anos no município.

Durante a entrevista, Florence destacou que a relação entre famílias e animais mudou nos últimos anos. Cães e gatos deixaram, em muitos casos, de ocupar apenas os espaços externos das residências e passaram a ser tratados como integrantes da família. O mesmo movimento, segundo ela, também pode ser percebido entre tutores de animais considerados exóticos. "Hoje em dia o cachorrinho deixou de ser aquele animalzinho de quintal. Hoje em dia ele já é um animalzinho que fica dentro de casa e realmente virou um membro da família", explicou a veterinária.

Esse comportamento acompanha uma expansão do mercado pet brasileiro. Dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação, a Abempet, apontam que o setor movimentou R$ 75,4 bilhões em 2024, alta de 9,6% em relação ao ano anterior. A alimentação foi responsável pela maior parcela desse faturamento, com R$ 40,8 bilhões.

A população de animais também é expressiva. Levantamento da Abempet, com dados do Instituto Pet Brasil, registrou 160,9 milhões de pets no Brasil em 2023, incluindo cães, gatos, aves, peixes e pequenos animais. A população cresceu 3,3% em relação a 2022. Confira os dados do setor pet da Abempet

Produtos e serviços acompanham novas necessidades

Em Araxá, a diversidade de produtos e serviços oferecidos pelo comércio especializado acompanha essa mudança no comportamento dos consumidores. Além das rações e petiscos, a Bicho Mania trabalha com medicamentos, banho e tosa, acessórios, produtos para animais exóticos, venda de alguns animais de estimação e aquarismo.

Segundo Florence, a procura por produtos específicos também aumentou. O mercado passou a oferecer uma variedade maior de rações, incluindo opções hipoalergênicas, sem grãos e com diferentes fontes de proteína, como salmão, cordeiro e carne suína. "Hoje em dia o próprio cliente já está mais exigente com as rações. O leque é muito maior e os tutores estão procurando cada vez mais deixar mais natural essa alimentação, até para a saúde e o bem-estar do animal", afirmou.

O aquarismo também aparece entre os segmentos que ganharam espaço. Além da venda de peixes, o setor envolve aquários, equipamentos e produtos para manutenção. De acordo com a veterinária, os peixes também passaram a ser procurados como elementos de decoração e interação dentro das residências.

Custo pesa nas escolhas dos tutores

Apesar do crescimento do setor, a pressão sobre o orçamento das famílias também chegou ao mercado pet. Florence relatou que alguns consumidores passaram a buscar produtos com melhor relação entre preço e qualidade, inclusive substituindo rações mais caras por alternativas de menor custo.

A chamada reduflação, quando o produto mantém preço semelhante, mas passa a ser vendido em quantidade menor, também já pode ser percebida no segmento. Segundo a veterinária, embalagens de ração que antes tinham 25 quilos passaram a ser encontradas com mais frequência em versões de 20 quilos. "Alguns pacotes, por exemplo, que eram de 15 quilos, já foi avisado que vão passar para 12 quilos. Então isso está acontecendo também", relatou.

Mesmo diante dessa mudança, a alimentação continua sendo uma despesa considerada essencial pelos tutores. A Abempet aponta que o segmento de alimentos industrializados respondeu por mais da metade do faturamento do mercado pet brasileiro em 2024.

Banho e tosa exigem profissionais preparados

Outro serviço que ganhou importância é o de banho e tosa. A veterinária explicou que o atendimento exige profissionais capacitados, além de paciência e conhecimento sobre o comportamento dos animais.

Na Bicho Mania, segundo Florence, a própria empresa investe na formação dos funcionários. O estabelecimento conta atualmente com sete pessoas na equipe e também trabalha com jovens aprendizes.

A dificuldade para encontrar mão de obra qualificada é apontada como um dos desafios do negócio. A veterinária afirmou que a empresa recebe muitos currículos, mas que grande parte dos candidatos ainda precisa passar por treinamento específico para atuar com animais e no atendimento ao público.

Vacinação e cuidados com a saúde

Durante a entrevista, Florence também reforçou a importância da vacinação antirrábica. A vacina está disponível gratuitamente na rede pública em campanhas e também pode ser encontrada na rede privada, incluindo clínicas veterinárias.

A recomendação é que os tutores mantenham a vacinação dos animais em dia, principalmente porque a raiva é uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida entre animais e seres humanos.

A veterinária também foi questionada sobre tratamentos considerados naturais para doenças em animais. Ao responder a um ouvinte, ela afirmou que não recomenda o uso de quiabo como tratamento para a chamada doença do carrapato por falta de evidências científicas que sustentem essa prática. "Não tem estudos científicos que embasam essa questão do quiabo poder tratar a doença do carrapato. Quando o animalzinho estiver com a doença, a gente recomenda que seja levado à clínica e que seja feito o tratamento desde o início com as medicações indicadas", orientou.

Atendimento a animais silvestres e exóticos

A atuação profissional de Florence também inclui animais exóticos e atendimentos relacionados à fauna silvestre. Durante o programa, ela contou sobre o caso de um tucano encaminhado após sofrer uma lesão no bico.

O animal recebeu os primeiros cuidados veterinários e, posteriormente, foi encaminhado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres, o Cetas, responsável pelo atendimento e destinação adequada desses animais.

A veterinária explicou ainda que animais silvestres nativos, como o tucano, não devem ser tratados como animais domésticos. Quando são resgatados ou apreendidos, precisam seguir os procedimentos estabelecidos pelos órgãos ambientais.

Entre os animais considerados exóticos que chegam ao atendimento estão calopsitas, coelhos, porquinhos-da-índia, hamsters e alguns répteis. A profissional destacou que a origem e a legalidade da criação são aspectos importantes nesse tipo de atendimento.

Empresa completa 20 anos em Araxá

Com duas décadas de atuação no município, a Bicho Mania aposta na diversificação de produtos e serviços para acompanhar as mudanças no comportamento dos consumidores.

Florence avalia que o mercado pet ainda tem espaço para crescer, especialmente com a ampliação da oferta de serviços especializados e a maior atenção dos tutores à saúde e ao bem-estar dos animais. "Eu espero que o mercado pet cresça mais, que a gente possa, não só a Bicho Mania, mas todos os comerciantes aqui de Araxá, crescer, e que a nossa economia possa melhorar também cada dia mais", afirmou ao encerrar a participação no programa.

A empresa está localizada na avenida Wilson Borges, número 210, no bairro Santo Antônio, em Araxá. Segundo a entrevistada, o estabelecimento também está com oportunidade de trabalho de meio período para vendedor, além de receber jovens a partir de 16 anos para formação profissional.