Imóvel destinado ao Posto Avançado de Coleta Externa já foi alugado, mas projeto passou por duas rodadas de adequações
A implantação do Posto Avançado de Coleta Externa (PACE) em Araxá ainda depende de etapas burocráticas e adequações estruturais antes de começar a receber doadores de sangue. O imóvel que vai abrigar o serviço já foi alugado pelo município, mas o espaço ainda não está em funcionamento porque o projeto precisa ser aprovado pela Vigilância Sanitária Estadual. O espaço fica na avenida Dâmaso Drummond, 1285, próximo a rotatória de acesso da rua da Banheira para a rua Alexandre Gondim, no Centro de Araxá.
A situação foi esclarecida pela subsecretária municipal de Saúde, Samira Reis, durante entrevista ao Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara, nesta quarta-feira (2). Segundo ela, a escolha pelo aluguel do imóvel ocorreu justamente para tentar acelerar a implantação do serviço, que permitirá que moradores de Araxá façam doações de sangue sem precisar se deslocar para outras cidades.
Atualmente, o município não possui um posto fixo de coleta externa. De acordo com a Secretaria de Saúde, quem deseja doar sangue precisa procurar o serviço mais próximo, em Uberaba. A criação do PACE busca facilitar o acesso da população e, consequentemente, ampliar a captação de doadores.
Projeto já passou por duas adequações
A discussão sobre a implantação do PACE começou ainda no ano passado, quando uma equipe técnica da Fundação Hemominas, incluindo uma arquiteta, esteve em Araxá para avaliar possíveis locais para receber a estrutura.
Segundo Samira, o imóvel escolhido foi considerado adequado pela equipe técnica, mas precisava passar por intervenções para atender às exigências necessárias para um serviço de saúde. A partir disso, a Secretaria Municipal de Obras e o Hemominas elaboraram o projeto de adequação, que foi encaminhado para análise da Vigilância Sanitária Estadual.
A primeira devolução ocorreu em 26 de maio deste ano. O projeto não foi aprovado naquele momento e recebeu uma série de solicitações de alteração. Entre os pontos indicados estão mudanças nos banheiros, adequações no piso e ajustes relacionados à climatização.
Após as alterações, o projeto foi novamente analisado, mas voltou a ser devolvido com uma nova solicitação de adequação. A Prefeitura afirma que essa última etapa está em fase de finalização.
Samira explicou que o município não consegue interferir diretamente no tempo de análise do órgão estadual. "Quando a gente manda um projeto para a Vigilância Sanitária, a gente não tem autonomia de interferir no andamento do processo lá dentro do Estado", afirmou.
Reunião com o Estado deve discutir celeridade
A expectativa da Secretaria de Saúde é protocolar novamente o projeto após a conclusão da adequação solicitada. Para tentar acelerar o processo, uma reunião com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, está prevista para a próxima semana.
A subsecretária reforçou que o aluguel do imóvel não significa que o serviço já poderia começar a funcionar. Antes da abertura, é necessário cumprir as exigências sanitárias e concluir outras etapas relacionadas à implantação. "Para encaminhar um projeto para a Vigilância Sanitária, todo serviço de saúde tem que ter aprovação da Vigilância Sanitária para ele abrir. Então a gente precisa alugar o imóvel", explicou Samira.
Depois da aprovação do projeto, será necessário executar as adequações físicas, contratar profissionais, capacitar a equipe e adquirir os equipamentos necessários para o atendimento. Parte dos profissionais deverá passar por treinamento em Belo Horizonte e Uberaba, segundo a Secretaria de Saúde.
Prefeitura estima até três meses para adequações
Com a aprovação do projeto, a expectativa é que a etapa de adequação do imóvel avance de forma mais rápida. A Secretaria de Saúde estima que, a partir da liberação, sejam necessários aproximadamente três meses para deixar a estrutura praticamente concluída. "A parte de adequação talvez demore mais, porque a gente vai ter que providenciar uma empresa para fazer essa adequação dos ambientes, por drywall, que são as divisórias, e a gente acredita que, depois desse projeto aprovado, dentro de três meses, a gente consegue realmente ter praticamente finalizado esse projeto", disse Samira.
A subsecretária destacou ainda que as etapas de contratação, capacitação e aquisição de equipamentos poderão ocorrer paralelamente às obras, com o objetivo de reduzir o tempo entre a conclusão da estrutura e o início efetivo dos atendimentos.
Serviço pode ampliar doações de sangue
Além de facilitar o acesso dos moradores, a implantação do PACE é considerada estratégica diante da necessidade permanente de reposição dos estoques de sangue. Em agosto, a Fundação Hemominas voltou a alertar para níveis críticos nos estoques estaduais e ressaltou que pacientes submetidos a cirurgias, vítimas de acidentes e pessoas em tratamento de doenças graves dependem diariamente das transfusões.
Na atualização de 28 de agosto, o Hemominas classificava os estoques de sangue O positivo e O negativo como críticos. Os tipos A positivo, A negativo, B positivo, B negativo e AB negativo estavam em situação de alerta.
A Fundação explica que o sangue não possui substituto artificial e que a única maneira de garantir o abastecimento é por meio das doações voluntárias.
Segundo o Hemominas, podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, com mais de 50 quilos e em boas condições gerais de saúde, desde que atendam aos demais critérios de triagem. As condições completas podem ser consultadas no site oficial do Hemominas.
Com a implantação do PACE, a expectativa da Secretaria de Saúde é aproximar o serviço da população de Araxá e facilitar a participação de novos doadores, contribuindo para aumentar a captação de sangue e fortalecer o atendimento transfusional na região.