Diretor da St. George Mining afirma que processamento de nióbio e terras raras continuará em Araxá
O Projeto Araxá, desenvolvido pela St. George Mining, mantém a previsão de investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões no município e avança para uma nova etapa com a participação de parceiros da região de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A parceria busca viabilizar no Brasil etapas relacionadas à separação de terras raras que, no planejamento inicial, seriam realizadas fora do país.
Em entrevista à Rádio Imbiara, o diretor da St. George, Thiago Amaral, explicou que a parceria não altera o planejamento original para Araxá. Segundo ele, o processamento de nióbio e terras raras continuará sendo realizado no município, com a produção de materiais de maior valor agregado.
A mudança está relacionada ao destino dos carbonatos e oxalatos de terras raras produzidos pelo projeto. Inicialmente, a empresa previa que esses materiais fossem enviados para processamento na Europa, nos Estados Unidos ou na Ásia. A partir de uma oportunidade de parceria com a Start Química, de Uberlândia, surgiu a possibilidade de realizar a separação das terras raras em território brasileiro.
De acordo com Tiago Amaral, a Start Química possui cerca de 40 anos de experiência na área e conhecimento técnico que pode complementar a estrutura e os investimentos da St. George. A intenção é que o parceiro realize etapas do processamento na região, fortalecendo a cadeia produtiva das terras raras no Brasil.
Processamento pode abrir novas aplicações
A separação dos diferentes elementos das terras raras pode permitir o desenvolvimento de novas aplicações industriais no país. Um dos exemplos citados pelo diretor é o uso do cério em nanopartículas, atualmente importado da China por empresas brasileiras.
A expectativa é que o avanço dessa cadeia também possa, futuramente, contribuir para a instalação de unidades voltadas à produção de ímãs de terras raras no Brasil.
Tiago Amaral reforçou que a parceria com empresas de outras cidades não significa a transferência da riqueza mineral de Araxá para Uberlândia. Segundo ele, o processamento previsto para o município, os empregos e a geração de impostos relacionados ao Projeto Araxá serão mantidos.
O diretor também destacou que a realização de etapas da cadeia produtiva dentro do Brasil pode ampliar a geração de tributos e movimentar fornecedores e outras empresas na região.

Tiago Amaral, diretor da St. George Mining, durante entrevista à Rádio Imbiara, falou sobre os avanços do Projeto Araxá, a parceria com empresas da região e a previsão de início da produção. Foto: Caio César
Projeto Araxá está em fase de licenciamento
O Projeto Araxá está atualmente na etapa de licenciamento, incluindo a área da mina e a unidade industrial. A empresa também atualizou os estudos sobre os recursos minerais identificados na região.
Segundo Thiago, aproximadamente 30% da área já passou por um trabalho detalhado de pesquisa mineral. Nessa área, a empresa afirma ter identificado uma reserva de materiais magnéticos de alto valor, com elevado grau de certeza, considerada de grande relevância em comparação com depósitos conhecidos em países como Austrália e Estados Unidos.
A St. George também realiza estudos em outras áreas para ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais existentes no município.
Produção pode começar entre 2028 e 2030
A previsão apresentada pela empresa é de que o Projeto Araxá possa entrar em produção a partir de 2028, em um cenário mais otimista, caso seja possível aproveitar estruturas existentes.
Em um cenário que exija a construção de toda a infraestrutura necessária do zero, o início da produção é projetado para 2030.
A empresa considera que a ampliação das parcerias e o desenvolvimento de uma cadeia nacional para o processamento de terras raras podem fortalecer o Projeto Araxá e aumentar a participação brasileira em um mercado estratégico para setores como tecnologia, indústria e energia.