Programa mantém ações de pesquisa, reprodução e conservação da fauna do Cerrado e também desenvolve atividades de educação ambiental
O Criadouro Conservacionista da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá, completa 40 anos de atividades em 2026. Criado em 1986, o espaço tem como principal objetivo contribuir para a conservação da biodiversidade do Cerrado por meio de ações de pesquisa, manejo, reprodução e bem-estar de animais silvestres.
De acordo com o médico veterinário Rafael Ferraz, que atua junto à CBMM, mais de 2.400 animais de 102 espécies já passaram pelo Criador ao longo das quatro décadas. Atualmente, o local mantém cerca de 100 animais, com espécies de mamíferos, aves e répteis, especialmente aquelas que apresentam algum grau de ameaça.
Entre os animais mantidos estão espécies emblemáticas do Cerrado, como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e a anta. O trabalho desenvolvido no local também gera informações científicas sobre aspectos fisiológicos, manejo e reprodução, que podem ser utilizadas por projetos de conservação no Brasil e em outros países.
Um dos principais resultados alcançados ao longo dos anos está relacionado ao lobo-guará. A CBMM foi pioneira na reprodução da espécie e, desde 1986, já foram registrados 69 nascimentos no Criador Conservacionista. Alguns animais foram encaminhados para instituições no Brasil e no exterior, contribuindo para programas de conservação e formação de repositórios genéticos.
Um exemplo recente envolve a loba-guará Kika. Um de seus filhotes foi encaminhado ao Zoológico de São Paulo para ser pareado com uma fêmea do Zoológico de Brasília. A expectativa é que o casal posteriormente seja destinado à Argentina para contribuir com a repopulação da espécie no país.
O Criador também participa de projetos de reabilitação e conservação. Um dos exemplos citados é o caso da tamanduá-bandeira Nancy, que integrou um programa de reabilitação e soltura de animais em vida livre. Após não conseguir permanecer na natureza, ela foi encaminhada à CBMM, onde passou a integrar trabalhos científicos.
Nancy também participa de uma pesquisa que utiliza um monitor cardíaco implantado sob a pele. O equipamento permitiu acompanhar informações fisiológicas durante a gestação, o nascimento e o desenvolvimento do filhote, em uma iniciativa realizada em parceria com uma instituição dos Estados Unidos.

O médico veterinário da CBMM, Rafael Ferraz, com os apresentadores do programa Imbiara Notícias, Carlos Nunes e Natália Fernandes. Foto: Alex Sander Xexéu/Portal Imbiara
Educação ambiental
Além do trabalho com os animais, o Criador Conservacionista integra o Centro de Desenvolvimento Ambiental (CDA), que também conta com o Programa de Educação Ambiental e o Viveiro de Mudas.
O Programa de Educação Ambiental existe desde 1992 e busca aproximar crianças e estudantes das ações de conservação. Segundo Rafael Ferraz, há nove anos o projeto atende 100% dos alunos do quarto ano do ensino fundamental de Araxá, além de receber estudantes de outras instituições.
As atividades permitem que os alunos conheçam a rotina dos animais e compreendam, na prática, a importância da preservação ambiental. Uma das iniciativas recentes uniu educação ambiental, reciclagem e solidariedade.
Em parceria com o Colégio São Domingos, alunos participaram de uma campanha de arrecadação de materiais recicláveis. A turma que conseguiu recolher a maior quantidade teve a oportunidade de escolher o nome de um filhote de tamanduá-bandeira. O animal foi batizado de Ayla. Os materiais arrecadados foram comercializados e os recursos destinados a uma instituição que atende pessoas em tratamento contra o câncer.
Mais de 500 mil mudas produzidas
O trabalho de conservação também envolve a flora do Cerrado. O viveiro da CBMM produz mudas de espécies nativas utilizadas em ações de recuperação de áreas.
Somente no ano passado, mais de 500 mil mudas foram plantadas. Atualmente, o viveiro consegue produzir internamente mais de 400 espécies do Cerrado.
Entre as iniciativas está a conservação de uma espécie de orquídea resgatada dentro de uma área da própria companhia. O trabalho conta com parceria de instituição de ensino para auxiliar na reprodução da espécie e ampliar as possibilidades de conservação.