As moradias foram construídas à beira de córregos e nascentes em diversas regiões da cidade, e a maioria dos moradores nestas condições são naturais de outros estados
Em Araxá já são 302famílias ocupando áreas invadidas. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Ação e Promoção Social, entre os bairros com registro de invasões estão: Aeroporto, Ana Pinto de Almeida, Armando Santos, Boa Vista, Bom Jesus, Francisco Duarte, Novo Horizonte, São Francisco, Salomão Drumond, Santa Maria, Santa Mônica, Santo Antônio, São Domingos, São Geraldo, Serra Morena, São Francisco e Tiradentes.
Relacionado aos impactos sociais está o crescimento desordenado de moradias instaladas em áreas públicas de maneira irregular. Em muitos casos com o avanço das favelas há os dramas vividos por quem mora nesta situação precária, pendurados em encostas, vielas e ruas sem pavimentação e muitas vezes sem água tratada ou esgoto, proliferando também os índices do tráfico de drogas e da violência.
As moradias que foram construídas irregularmente à beira de córregos e nascentes não possuem ligação à rede de esgotos e os moradores se utilizam de fossas ou do canal de drenagem para despejar o esgoto doméstico. Sendo que, em períodos de chuva, aumenta-se o risco de deslizamentos e enchentes.
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O estudo de habitação realizado demonstra que das 302 famílias apenas 65 são constituídas por araxaenses, 237 famílias em ocupação irregular são de outros estados como Alagoas, Ceará, Goiás, Paraná e Pernambuco. Ao todo são 943 pessoas, e destas 379 são crianças.
Segundo as informações da Secretaria Municipal de Ação e Promoção Social, as ocupações foram toleradas pelo poder público devido a readequação das moradias demandarem soluções e medidas estruturais dos espaços na cidade. Em entrevista ao Portal Imbiara, o novo responsável pelo departamento de fiscalização do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), Edson Mauro Oliveira Campos, falou sobre as áreas invadias e do trabalho da prefeitura para sanar o problema com a criação de uma força-tarefa.
“A fiscalização do IPDSA hoje é atuante principalmente na prevenção, se há uma denúncia de invasão de imediato nos deslocamos até a área, notificamos e acionamos a Policia Militar para a remoção daquele invasor. Entre as famílias já catalogadas pelo município, há um número considerável de pessoas da cidade de Araxá. Realizamos um estudo não só na parte social, mas também se aquela pessoa responde um processo ou se está foragida da polícia. Sabemos da real necessidade dessas pessoas que estão à margem da sociedade. Trabalhamos com responsabilidade para que seja preservada a dignidade humana”, explica Edson Campos.
O trabalho teve inicio neste mês de março com notificação das famílias que residem em uma área pública que fica às margens do Córrego Grande, no bairro São Francisco. O local irá receber melhorias para transformar a área em um espaço de lazer para a comunidade. O estancamento do crescimento desta população foi emergencial tendo vista que haviam novas famílias que estavam fazendo demarcações para construção de mais imóveis irregulares.
A Prefeitura de Araxá, após a criação do Comitê de Combate às invasões, segue um planejamento emergencial para as famílias que estão em situação de risco. Como medida emergencial é possível estabelecer o aluguel social até construção de conjuntos habitacionais para solução efetiva. Segundo as informações da Secretaria de Ação e Promoção Social, as famílias migrantes de outros estados relataram terem vindo para Araxá após convite de um amigo ou familiar, que já havia fixado moradia na cidade, devido entender que seja um local com mais oportunidades de emprego e auxílio à população.
Entre as principais áreas invadidas, o levantamento destacou ainda as três áreas consideradas de maior risco aos moradores, um total de 90 famílias.
Bairro São Francisco: 52 famílias
Bairro Francisco Duarte: 23 famílias
Rua Erminda Soares de Lourdes: 15 famílias
De acordo com os critérios atuais estabelecidos na Lei Municipal, o estudo aponta que cerca de 126 famílias estão aptas a receber o benefício de Aluguel Social, porém, segundo a prefeitura, seria um impacto financeiro no valor estimado anual para atender estas famílias seria em torno de R$ 2.458.240,00 (dois milhões, quatrocentos e cinquenta e oito mil, duzentos e quarenta reais). Isso significa que por mês cada uma das famílias iriam demandar do município cerca de R$ 1.625,00.
Qualquer pessoa pode auxiliar a fiscalização do crescimento desta população em invasões irregulares. O Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Sustentável de Araxá possui um telefone para que a comunidade possa realizar as denúncias.
Disque denúncia (IPDSA) – 34 9 8861 4078

Fotos: Portal Imbiara
Ouça a entrevista com Edson Mauro Oliveira Campos.