A ideia foi proposta pelo prefeito Robson Magela durante visita ao local. A retirada dos trabalhadores do aterro é necessária para regulamentação ambiental do município
Catadores que trabalham diretamente no aterro sanitário de Araxá receberam a visita de uma comissão da prefeitura na última sexta-feira (26). Participaram da visita o prefeito Robson Magela e a analista ambiental do Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), Mirian Gonçalves de Souza, além de outros membros da prefeitura e do IPDSA.
A comissão esteve no local para apresentar soluções aos catadores de recicláveis que atuam no local em péssimas condições de trabalho e que dali tiram o sustento de suas famílias. Em contrapartida, o município busca se regularizar com o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado junto ao Ministérios Público em 2019 e que, por descumprimento, acarreta a Araxá uma multa de cerca de R$ 3 milhões.
Na oportunidade, Robson Magela apresentou medidas já tomadas pela prefeitura para incentivar o setor da reciclagem Araxá e propôs que os catadores do local se organizem para que possam ser contemplados. “Cada associação ou cooperativa recebe da prefeitura R$ 166.500 para que possa arcar com as principais despesas, como aluguel de galpão, água, energia e compra e manutenção de veículo para fazer a coleta. A ideia é incentivar esse pessoal que atua no aterro para que se organizem em associações e, assim, também possam ser contemplados com esse recurso distribuído pela prefeitura", conta.
A regularização do município com o TAC deve trazer consequências diretas aos catadores do aterro. O serviço de tratamento de dejetos será privatizado, passando para a responsabilidade da empresa fiscalizar o acesso ao local. Além disso, a presença de catadores no local descaracteriza a forma de direcionamento de lixo como aterro, por isso a presença dos trabalhadores deve ser restringida.
Neilson Rocha é catador há 18 anos e avaliou como positiva a proposta da criação de uma nova associação. “Felizmente, o prefeito traz essa alternativa para a gente, de formar a associação e receber essa verba. Eu entendo que precisamos sair daqui. Mas ao mesmo tempo acho que a população também precisa ter mais consciência na hora de jogar o lixo fora”, enfatiza.
Durante a reunião, Mirian Gonçalves disse que o IPDSA deverá participar de forma ativa para que Araxá volte a ser referência no tratamento de destinação dos resíduos sólidos. Segundo a analista, o instituto está finalizando projetos de educação ambiental que deverão ser apresentados em breve.