Postado em: 02/02/2022 - 14:26 Última atualização: 02/02/2022 - 15:23
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Ação social em Araxá realiza trabalho emergencial com moradores de rua e imigrantes

Casa Transitória em Araxá recebeu 20 pessoas da Venezuela neste fim de semana

Mãe e filho em anexo da Casa transitória em Araxá. Fotos: Natália Fernandes / Portal Imbiara

A Casa Transitória é um local de morada provisória em Araxá que  faz o trabalho social de acolhimento e assistência social com pessoas vindas de outras localidades e com moradores em situação de rua. Atualmente, ela conta com 47 pessoas em seus alojamentos e oferece em suas dependências apoio e trabalhos de socialização. Entre essas pessoas, há 20 venezuelanos de cinco famílias que saíram da Venezuela, país da América do Sul que tem fronteira com o Brasil, em direção a Araxá. 

Cristiane Gonçalves, secretária de Assistência e Ação Social de Araxá, e Fábio França, coordenador da Casa Transitória falaram ao Portal Imbiara sobre o trabalho de acolhimento de pessoas em Araxá. Eles explicam que a casa acolhe e faz um trabalho contínuo de recolhimento de pessoas em situação de rua. A própria pessoa, entetanto, tem que aceitar ajuda e ir para o abrigo por livre espontânea vontade. “Todos os dias nós fazemos uma abordagem social para identificar as pessoas que moram nas ruas da cidade. Essas pessoas não são forçadas a virem para o abrigo. Elas só vem se sentirem vontade e necessidade”, explica Cristiane Gonçalves.

Fábio França disse que muitas dessas pessoas não optam por receber auxílio da Ação Social, principalmente pelas regras estabelecidas para organização da instituição. “Aqui nós precisamos fazer toda uma organização para que o trabalho seja feito de forma eficaz. Temos nossos horários para as refeições de café da manhã, almoço e jantar. Além disso, os horários de entrada e saída precisam ser bem definidos e a boa convivência dentro do albergue é essencial para o bom funcionamento. Muitos acolhidos não aceitam isso, o que faz perder a ajuda humanitária”, ressaltou França. 

Instalações da Casa Transitória em Araxá

A questão migratória de brasileiros

Clóvis Cardoso, 58 anos, chegou em Araxá no dia 7 de janeiro e foi acolhido pelo albergue desde então. Ele conta que veio de Manaus (AM) em busca de oportunidades após a morte da esposa. Ele relata que tem cinco filhos, todos eles adultos, mas que não firmou laços familiares após a morte da mulher, então, decidiu mudar de lá. Ele conta que tem um bom tratamento no albergue e que logo quer arrumar um bom trabalho e conseguir se firmar na cidade. “Aqui eles oferecem de tudo. Muitas pessoas criticam o local pois não querem obedecer as regras daqui. Espero que daqui um mês eu possa sair daqui com um emprego”, diz Clóvis Cardoso, com esperança. 

Cristine Gonçalves explica que os acolhidos não têm um tempo certo para permanecerem no local. Muitas delas que permanecem no lugar por mais tempo são preparadas para conseguir um emprego ou estabelecer um vínculo com a cidade, se possuir algum vínculo familiar dentro do município. “Nós também ajudamos os abrigados que se dispõem a colaborar com nossa dinâmica. Ajudamos a fazer currículos, regularizar documentos e até mesmo morar na cidade com a ajuda de familiares que já residem na cidade”, explica a secretária. 

Acolhimento de venezuelanos no abrigo

No final desta semana, de acordo com informações da Casa Transitória, a instituição fez o acolhimento emergencial de cinco famílias vindas da Venezuela. São o total de 20 pessoas que foram alojadas no anexo da instituição, um ginásio que já serviu de abrigo para moradores de rua na época de inverno. Entre as pessoas estão mulheres, homens e crianças. São mães e pais de três pessoas por grupo familiar. “ Nós recebemos estas pessoas no último final de semana, por meio da abordagem social. Nós já estamos regularizando a situação deles e estamos oferecendo suporte para os lugares que eles desejam seguir destino”, disse Cristiane Gonçalves.

Ruy Guildo é um dos venezuelanos que chegou na cidade no fim de semana e já está se preparando para retornar a Brasília (DF). A equipe do Portal Imbiara o encontrou em um dos semáforos da cidade, pedindo doações. Ele mesmo contou que a administração está dando todo o apoio de acolhimento. “O governo está dando almoço e jantar e lugar para dormir, mas nós precisamos voltar para Brasília para ver se conseguimos alguma coisa melhor”, explica Ruy Guildo. Ele também nos disse que saiu da Venezuela por falta de emprego e por conta da crise social e política que o país vive atualmente. “Eu e minha família não podíamos continuar lá. Eu perdi meu emprego e precisávamos fazer alguma coisa”, lamentou Guildo.

Imigrantes venezuelanos em números 

O Subcomitê Federal para Interiorização é uma organização ligada ao Ministério da Cidadania e a Organização das Nações Unidas. O Subcomitê é responsável pelo processo de aprovação da transferência dos imigrantes das cidades de fronteira para outros estados brasileiros. A partir da Operação Acolhida,  do governo federal, que realoca imigrantes venezuelanos no Brasil para todos os estados brasileiros. De acordo com informações, no fim do ano de 2021 foram realocados 66.200 venezuelanos. A Região Sul do país que recebeu mais imigrantes venezuelanos conta com 31.264 no total. Em Minas Gerais, o estado acolheu 4.113 venezuelanos.