BEM BRASIL
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Postado em: 12/05/2022 - 17:03 Última atualização: 13/05/2022 - 07:57
Por: Bruna Isabella Silva – Portal Imbiara

Período de queimadas e medidas de prevenção em Araxá é tema de fórum na Câmara Municipal

Durante o ano de 2021 foi registrada a maior média histórica de incêndios da cidade de Araxá

Incêndio em terreno da prefeitura no bairro Max Neumann II, em abril deste ano. Foto: Portal Imbiara/Arquivo

Em Fórum Comunitário realizado na Câmara Municipal de Araxá nesta quinta-feira (12), foi debatido o crime ambiental e queimadas na cidade. O fórum foi solicitado pela vereadora Leni Nobre (PT), de modo a levantar as demandas do município e traçar metas com representantes diretamente ligados à causa.

Durante o fórum foi muito destacada pelos convidados a quantidade de lotes privados e públicos que estão sujos na cidade. Segundo o capitão comandante do Corpo de Bombeiros, Thiago Augusto Pereira, o batalhão realiza um trabalho de fiscalização em lotes vagos.

“Nós fazemos uma vistoria em lotes vagos. Temos uma parceria com o IPDSA, que é quem gerencia essa parte, e a gente encaminha nossas vistorias nos lotes vagos que não fizeram manutenção e limpeza do terreno para o pessoal do IPDSA poder fazer essa verificação em loco e aplicar as medidas necessárias", pontuou o capitão Augusto.

O cabo Washington Silva, da Polícia Militar do Meio Ambiente, sugeriu aos vereadores que apresentem projetos para ocupação ou utilização de áreas públicas ,também ressaltando a questão dos lotes sujos em toda a cidade.

O Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável de Araxá (IPDSA), responsável pela autuação aos terrenos e lotes, públicos ou particulares que estejam sujos e com necessidade de capina em Araxá, não esteve presente no fórum e não justificou sua ausência.

Em entrevista ao Portal Imbiara, o cabo Washington Silva destacou como é feito o trabalho da Polícia Ambiental neste período de baixa umidade do ar com grande incidência de queimadas.

"Nós atuamos na forma preventiva e repressiva. Na forma preventiva, em forma de palestras conscientização. Na forma repreensiva, com o patrulhamento e autuações diretas com prisões e multas. A gente percebe que nesse período mais seco do ano a incidência é maior, porque tem mais matéria seca para queimar, ao aumento da incidência nas férias escolares. Às vezes, muitas crianças estão em casa e os pais trabalham. As crianças acabam brincando com fogo”, destacou o policial ambiental

O capitão Augusto falou sobre a grande quantidade das ocorrências registradas no ano passado neste mesmo período em Araxá e os trabalhos que já estão sendo feitos para conter ou tentar diminuir os incêndios.

“A gente tem verificado um grande aumento nos últimos anos desde 2019. O ano passado foi a nossa média histórica, com a maior incidência dos incêndios florestais e este ano a gente tenta implementar as medidas preventivas, as campanhas educativas para tentar reduzir. Em 2021, nós tivemos um aumento de quase 40% em relação ao ano de 2020, e isso impacta no nosso serviço. É uma demanda maior para o nosso efetivo que poderia estar sendo empenhados em outras ocorrências”, afirma o capitão Augusto.

A EMATER-MG, que atua como um dos principais instrumentos do Governo de Minas Gerais para a ação operacional e de planejamento no setor agrícola do Estado, também esteve presente durante o fórum realizado na Câmara, representado pelo extensionista Murilo Alencar Alves.

“Nos orientamos especialmente sobre a regulamentação da queima controlada, que deve ser feita com a autorização do órgão ambiental. Então, todo produtor que pretende adotar essa prática de implementar uma queima controlada  deve buscar o órgão ambiental, no caso o IEF aqui de Araxá, e se orientar quanto à documentação do processo e ao procedimento para realizar essa queima controlada”, esclareceu Murilo Alves.

Outro ponto discutido durante o fórum foi a importância da Educação Ambiental, que contou com a participação do educador ambiental Antonio Geraldo Alves Ribeiro (Gerê). 

“Nós gravamos um vídeo de 6 minutos que vai ser divulgado na TV Araxá Educa, falando sobre a importância da prevenção e as consequências e como prevenir as queimadas. A educação ambiental, para ter resultado, precisa ser contínua. Como a educação em si ela tem que ter sequência. Quando falamos de focos de incêndios em áreas urbanas, a primeira coisa que a gente tem que passar para as pessoas é o entendimento do porquê isso acontece”, explicou Gerê. 

Segundo a Lei n° 9.605 de crimes ambientais e os Artigos 41 e 54, há punição a queimada criminosa em terrenos baldios, áreas rurais, lixos domésticos. O infrator pode levar multa que varia de R$ 1.800 a R$ 6.000.

Ouça as entrevistas completas: