Impasse entre sócios, dívida trabalhista e incerteza sobre comando marcam momento delicado do clube
A participação do Araxá Esporte Clube no futebol profissional em 2026 voltou a ser cercada de incertezas após um racha entre os investidores da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O conflito, revelado em entrevista coletiva concedida por Diogo Ferreira, envolve divergências financeiras, administrativas e de planejamento, colocando em dúvida a continuidade do projeto.
A coletiva foi comentada durante o programa Debate Esportivo, da Rádio Imbiara 91,5 FM, no último sábado (21), apresentado por Alexandre César e Reginaldo Gomes, acompanhados pelo repórter Caio César e narrador esportivo Tales Oliveira. Diogo Ferreira detalhou os motivos do desentendimento com o sócio Jerry Corrêa, indicando que a parceria entre ambos está próxima do fim.
Dívidas travam registro de atletas
Segundo Diogo, embora as pendências com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Mineira de Futebol (FMF) tenham sido quitadas — condição necessária para a regularização do clube —, uma dívida trabalhista de aproximadamente R$ 160 mil, referente a ações movidas por ex-jogadores, impede o registro de novos atletas.
O investidor afirma que propôs dividir o valor com o sócio, mas não houve acordo. A divergência se intensificou quando ele defendeu priorizar as categorias de base, enquanto a outra parte preferia focar exclusivamente no elenco profissional.
“Futebol começa pela base. Eu me dispus a bancar os custos, mas, mesmo assim, não houve interesse”, afirmou.
Divergência sobre modelo de gestão
A falta de consenso sobre o planejamento esportivo foi o estopim para o rompimento. Diogo defende a estruturação do clube a partir das categorias sub-15 e sub-17, como forma de gerar atletas e garantir sustentabilidade financeira. Já Jerry, segundo relato, não considera a base prioridade neste momento.
A situação gerou desconfiança quanto à capacidade de investimento e à condução do projeto.
Negociação para saída de sócio
O contrato da SAF prevê cláusula de compra entre as partes. Diante do impasse, Diogo formalizou proposta para adquirir a parte do sócio. Após negociações que começaram em R$ 500 mil, o valor teria sido ajustado para R$ 320 mil.
Apesar de um acordo verbal, a assinatura do contrato ainda não foi concretizada. A expectativa é de que a definição ocorra nos próximos dias. Caso contrário, o cenário pode evoluir para uma nova disputa societária.
Associação acompanha e pode intervir
O presidente da associação do clube, Wandick de Assis, afirmou que acompanha a situação, mas destacou que o conflito é interno à SAF.
Ele lembrou que há uma cláusula contratual que prevê o depósito de R$ 1,2 milhão até o dia 31 de março. Caso o valor não seja pago, a associação pode retomar o controle do clube e até anular o contrato da SAF.