Fichas estariam sendo distribuídas dentro da Secretaria para que pessoas se filiassem a determinado partido político
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), dentro dos desdobramentos da Operação "Malebolge", têm realizado ações, nesta semana, para verificar a utilização da máquina pública da Prefeitura de Araxá para favorecimento de grupos políticos.
Segundo as investigações, trata-se de um crime eleitoral, em que, por meio de solicitação e determinação do ex-secretário municipal Moisés Pereira Cunha, fichas estariam sendo distribuídas dentro da Secretaria de Ação e Promoção Social para que as pessoas se filiassem a determinado partido político.
A Polícia Civil trabalha para identificar quais pessoas aderiram ao “projeto político”, quais foram tentadas, mas se recusaram, e ainda aquelas que insistem em dar prosseguimento ao crime instaurado em órgãos da Administração Pública do município.
As pessoas investigadas, dentre elas atuais e ex-funcionários públicos municipais, já foram intimadas e serão ouvidas nos próximos dias.
Entenda o caso:
O delegado Renato Alcino Vieira confirmou em entrevista coletiva virtual com a imprensa no dia 14 de agosto, que a Polícia Civil pediu o afastamento do ex-secretário de Ação e Promoção Social de Araxá Moisés Cunha, por terem sido encontrados indícios de utilização indevida e ilícita do espaço público para fins eleitorais. (ouça o áudio do delegado).
De acordo com Renato Alcino, a investigação é mais um desdobramento a operação “Malebolge”, que investiga o desvio de recursos públicos da Prefeitura de Araxá através de contratos firmados que somam o valor de mais de R$ 5 milhões em cinco anos com uma empresa de transportes de vans.
“Dentro do cenário de investigação da operação 'Malebolge', nós tivemos desdobramentos de utilização ilegal da máquina pública e verificamos que não era possível que determinados servidores públicos continuassem a atuar no cenário que nós encontramos. Por isso, pedimos o afastamento dessas pessoas, entre elas um secretário Municipal que atuava no local, pelo cometimento de crime eleitoral, principalmente pelos princípios da administração pública, sobre pena de colocarmos em risco a liberdade do voto”, disse Alcino.
O delegado ainda se mostrou preocupado porque, segundo ele, a Secretaria de Ação e Promoção Social atende pessoas vulneráveis econômica e socialmente. Causou a preocupação o ambiente de articulação, na opinião dele, espúrio (que não é correto) dentro do espaço público.
Moisés Pereira Cunha, que até então era o secretário da pasta, pediu a exoneração do cargo no dia 13 de agosto, mas alegou em nota assinada por seu advogado, que não recebeu nenhuma ordem judicial de afastamento do cargo.