CPI que investiga irregularidades na Secretaria de Agricultura de Araxá ouviu um fazendeiro que supostamente recebeu serviços de forma irregular
Na tarde desta quinta-feira (27) na Câmara Municipal de Araxá ocorreu a oitiva do fazendeiro Bruno Vaz Ribeiro, chamado na condição de testemunha, para prestar esclarecimentos sobre irregularidades investigadas através da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara.
A CPI chegou até o fazendeiro mediante denúncia, os membros da CPI e o jurídico da Câmara, estiveram em sua propriedade para verificar o serviço feito, segundo os relatado o serviço foi contratado de forma particular pelo Bruno a uma empresa que também presta serviço para a prefeitura, segundo os relatos e os membros da CPI, supostamente as máquinas podem ter prestado serviço em duplicidade recebendo do fazendeiro que contratou o serviço de forma particular e da Prefeitura.
Bruno Vaz, fazendeiro na região de Araxá chamado na condição de testemunha, informou que tem uma propriedade alugada desde 2015 na BR 262 no km 697, Bruno disse que tem um Haras de cavalo para reprodução e treinamento de esporte. “ A última benfeitoria que foi realizada nesta propriedade foi em agosto do ano passado, esse serviço eu contratei do Sr. Branco, eu sinceramente não sei nem o nome físico dele e também os depósitos feitos na conta tem o nome da empresa”
Questionado se as máquinas saiam de sua propriedade para fazer outros trabalhos, Bruno disse não saber se elas faziam outros trabalhos, mas afirmou que as máquinas saiam da sua propriedade. “O que acontecia era que funcionários que lá estavam envolvidos eu mesmo questionava, mas cadê a máquina para fazer o serviço, ‘a está fazendo serviço fora’, os serviços eram realizados diariamente, em alguns dias algumas máquinas ficavam desde o primeiro dia, outras máquinas saiam e retornavam no outro dia”, esclareceu Bruno, que era informado pelos operadores que as máquinas iam chegar às 14h ou 10h.
Segundo o fazendeiro, as máquinas saiam de sua fazenda rodando até o asfalto e lá eram embarcadas em pranchas, informou que foi cobrado o frete da prancha e durante o serviço também foi cobrado combustível.
“Eu contratei e me vi dentro da obra, o que chamava atenção às vezes é essa coisa das máquinas ter que sair e fazer um serviço para outro, mas na minha cabeça era para outro terceiro, eu nunca imaginei que essas máquinas estariam contratadas pela Prefeitura”, ressaltou.
“Até um determinado dia que um desses funcionários que estavam lá me questionou, você está pagando frete dessas pranchas. Eu não conheço do serviço, não sei se tem que pagar ou não, questionei o porquê você está falando isso para mim, aí ele pegou e falou, isso aí é a Prefeitura que está pagando”, acrescentou Bruno em seu depoimento.
Sobre a contratação, o fazendeiro afirmou que sempre lidou com o empresário e realizou a maioria dos pagamentos por PIX. Bruno disse que o contrato com a empresa de máquinas de forma particular foi negociado apenas pelo WhatsApp, no valor de R$ 100 mil, não houve assinatura de contrato físico e também não houve emissão de Nota Fiscal por parte da empresa. Quando o fazendeiro relatou os pagamentos feitos, a empresa disse que um cheque de R$ 35 mil, pré-datado para janeiro deste ano, não foi descontado.
A Polícia Civil de Araxá iniciou uma investigação no final de 2022, onde no início deste ano realizou diversas buscas e apreensões investigando crimes de peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, falsidade ideológica, tráfico de influência e organização criminosa, supostamente praticados por agentes públicos municipais, empresários e prestadores de serviços.
“Eu fui intimado na Polícia, segundo o que a Polícia me falou, foi por escuta telefônicas de alguns dos envolvidos que estavam perguntando se a máquina ia para o rapaz do haras na BR 262, por isso chegaram em mim. No dia do meu depoimento à Polícia eu fui questionado e confrontado e fui informado que a patrola tinha que estar prestando serviço para prefeitura em outro lugar”, concluiu.
Bruno negou quando questionado se secretários ou assessores da Secretaria de Agricultura estiveram em sua propriedade. Os membros da CPI informaram que vão solicitar informações sobre o período que as máquinas trabalhavam na fazenda do Sr. Bruno, como há vários registros fotográficos das máquinas trabalhando na propriedade será verificado se essas máquinas também receberam no mesmo período pela Prefeitura.
O depoimento pode ser assistido na íntegra através do Canal do YouTube da Câmara de Araxá.
https://www.youtube.com/watch?v=IVjOm9l3si0
CPI
A CPI criada apresenta como justificativa a gravidade da situação exposta pela “Operação Ourímetro”, desencadeada pela Polícia Civil, bem como os representantes da Casa legislativa merecem esclarecimentos sobre possíveis desvios de finalidade e lesões ao erário que, em tese, estariam acontecendo. O documento de protocolo da CPI ainda ressalta que a sociedade Araxaense necessita que dentro da esfera de atuação dos vereadores sejam propostas soluções adequadas.