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Postado em: 23/10/2025 - 15:11 Última atualização: 24/10/2025 - 11:03
Por: Alex Sander Xexéu / Caio César - Portal Imbiara

Operação Via Pecuniam: 14 presos e empresa de fachada descoberta no bairro Boa Vista, em Araxá

A Polícia Civil de Araxá realizou mandados de buscas a apreenssões em pelo menos 35 pontos

Coletiva de imprensa realizada na sede da Delegacia de Polícia Civil em Araxá nesta quinta (23). Foto: Caio César

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (23), os detalhes da Operação Via Pecuniam, deflagrada a partir de uma investigação iniciada em Araxá e que se estendeu para outras cidades mineiras e o estado do Paraná. A operação tem como objetivo combater o tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro e a atuação de uma organização criminosa com ramificações interestaduais.

De acordo com o delegado Luiz Gustavo de Oliveira, a ação mobilizou mais de 300 policiais e cumpriu diversos mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens e contas bancárias. “Foram cumpridos mandados em Araxá, Tapira, Uberlândia, Ibirité, Montes Claros e também no estado do Paraná. É o resultado de uma investigação qualificada que já dura cerca de dois a três anos”, afirmou.

Delegada Fernanda Pires Passarini, explica mais sobre a operação. Foto: Caio César 

Durante a coletiva, os delegados e o investigador da Polícia Civil de Araxá explicaram que a operação conseguiu identificar e prender um dos maiores distribuidores de cocaína de Minas Gerais. A droga era trazida da tríplice fronteira, passando por Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, antes de chegar ao Triângulo Mineiro e ser distribuída para diversas regiões do país.

As análises bancárias feitas pela PCMG revelaram transações que somam aproximadamente R$ 80 milhões, envolvendo o uso de empresas de fachada, fintechs e “laranjas”. “Esse dinheiro circulava desde a compra da droga até a distribuição e posterior lavagem, com aparência de legalidade em negócios locais”, informou a equipe. 

Em Araxá, segundo a delegada Fernanda Pires Passarini, foram 23 mandados de prisão temporária e 35 de busca e apreensão. “Até o momento, cerca de 14 pessoas foram presas e 10 veículos apreendidos, entre eles um Porsche. Todos os mandados foram cumpridos com sucesso”, destacou.

O investigador Júlio César Emiliano de Almeida explica que também houve registro de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, movimentando valores incompatíveis com suas rendas. “Um dos investigados movimentou R$ 24 milhões em três anos, utilizando uma loja de aparelhos eletrônicos no bairro Boa Vista como fachada”, afirmou.

Investigador Júlio César Emiliano de Almeida. Foto: Caio César 

Questionado sobre a possível ligação com facções criminosas conhecidas, o delegado regional de Ituiutaba e ex-delegado de Narcóticos e Crimes Contra a Vida de Araxá, Vinícius Ramalho, informou que o grupo é autônomo, embora possa comercializar drogas com o PCC e o Comando Vermelho.

Entre os alvos, há empresários e pessoas ligadas a atividades comerciais em Araxá. Um dos mandados de prisão foi cumprido contra uma assessora parlamentar, mas a polícia ressaltou que não há relação com o cargo público nem com o vereador ao qual ela é vinculada.

Foram apreendidos cerca de 25 veículos de luxo, armas de fogo, joias, dinheiro em espécie e maquinário para preparo e embalagem de drogas. Além disso, houve o bloqueio de aproximadamente 120 contas bancárias usadas para movimentar recursos ilícitos.

A Polícia Civil informou que esta é a primeira fase da operação, e outras etapas devem ocorrer nas próximas semanas. As prisões temporárias têm prazo de 30 dias, período em que as investigações continuarão com a análise de celulares, documentos e movimentações financeiras.

“É uma das maiores operações de tráfico e lavagem de dinheiro já realizadas em Minas Gerais”, afirmou o delegado Vinícius Ramalho. “Estamos muito satisfeitos com o resultado e gratos a todas as equipes envolvidas", conclui o delegado que comanda a Delegacia Regional de Ituiutaba. 


O delegado Vinícius Ramalho entre o delegado Luís Gustavo de Oliveira (primeiro da esquerda à direita) e o investigador Júlio César Emiliano de Almeida. Foto: Caio César

O advogado Willian Silva, que representa parte dos investigados na operação, afirmou que a defesa ainda não teve acesso aos autos do inquérito para analisar o conteúdo das acusações. Segundo ele, o trabalho agora será voltado à compreensão das provas apresentadas e à elaboração das estratégias jurídicas de cada cliente. “É uma operação complexa, com muitos mandados, e precisamos entender com clareza o que levou à imputação de suposta lavagem de dinheiro. Confiamos no trabalho da Justiça e acreditamos que tudo será esclarecido no momento oportuno”, destacou. A defesa informou que seguirá acompanhando o caso e deve se manifestar novamente após ter acesso integral ao processo.

William Silva, advogado da defesa. Foto: Caio César