Parlamentar do Republicanos Almir Silva foi preso nesta terça (1º) e afastado cautelarmente por 90 dias pela Câmara Municipal
O vereador Almir Silva (Republicanos) foi preso pela Polícia Civil nesta terça-feira (1º), em Uberaba, no Triângulo Mineiro, durante a segunda fase da Operação Caça-Fantasmas. A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo pessoas ligadas ao gabinete do parlamentar. As informações são do Jornal da Manhã on-line de Uberaba.
Após a prisão, a Câmara Municipal de Uberaba comunicou o afastamento cautelar de Almir Silva por 90 dias. A decisão também retirou o vereador da função de relator da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. O cargo será ocupado pelo vereador Anderson Dois Irmãos (PSD).
De acordo com o Jornal da Manhã, o anúncio foi feito em plenário pelo presidente da Câmara, Ismar Marão (PSD), que também informou o afastamento dos assessores parlamentares citados na decisão judicial. Eles ficam proibidos de acessar o gabinete, órgãos, sistemas e ferramentas do Legislativo.
A Câmara determinou ainda que o setor administrativo colabore com as investigações e forneça aos órgãos responsáveis as informações que forem formalmente requisitadas.
As informações apontam que Almir Silva foi preso em casa e permanece sob custódia da Polícia Civil. O pedido de prisão foi apresentado pelo presidente do inquérito, Tiago Cruz, com apoio do delegado Eduardo Garcia, da Divisão de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro, do delegado-chefe da Polícia Civil, Felipe Colombari, e do Ministério Público, por meio do curador do Patrimônio Público, Eduardo Fantinati. A medida foi autorizada pelo juiz Gustavo Moreira, responsável pelo caso como juiz de garantias.
Segundo apuração do Jornal da Manhã, a investigação começou em julho de 2025, quando a Polícia Civil cumpriu mandados de busca em oito endereços, incluindo a residência de Almir Silva. Em fevereiro deste ano, um dos inquéritos foi concluído com o indiciamento de 18 pessoas e prejuízo estimado em mais de R$ 1,16 milhão.
Em maio, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou Almir Silva e outras quatro pessoas por suspeitas relacionadas a um suposto esquema de servidores fantasmas. Segundo a denúncia, assessores teriam recebido salários e benefícios sem prestar os serviços correspondentes. O prejuízo apontado nesse núcleo da investigação ultrapassa R$ 636 mil.
O Ministério Público também afirmou que três integrantes de uma mesma família teriam ocupado cargos no gabinete entre 2017 e 2025 sem a correspondente prestação dos serviços. A investigação ainda apura a possível existência de outros oito supostos servidores fantasmas e eventuais crimes de lavagem de dinheiro.
Na ocasião da denúncia, o Ministério Público havia solicitado o afastamento cautelar de Almir, mas a Justiça negou o pedido naquele momento por entender que não havia demonstração de risco atual suficiente para justificar a medida.
O Republicanos informou a reportagem do Jornal da Manhã que acompanha o caso e aguarda o andamento dos processos antes de adotar qualquer posicionamento. A defesa de Almir Silva também foi procurada pelo veículo de comunicação de Uberaba, mas não havia manifestação divulgada até a publicação desta matéria.
A Assessoria de Comunicação da Polícia Civil encaminhou uma nota sobre a operação para o Portal Imbiara e informou o seguinte:
“Em atenção à sua solicitação, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esclarece que, na manhã desta terça-feira (1º/9), cumpriu mandados judiciais de medidas cautelares em Uberaba, no âmbito da operação Caça-Fantasmas.
Em razão do sigilo decretado judicialmente, a PCMG informa que não poderá prestar outras informações”.