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Postado em: 15/07/2022 - 17:07 Última atualização: 18/07/2022 - 07:55
Por: Natália Fernandes - Portal Imbiara

Papo com a Nat: Renato Zupo fala sobre criminalidade e o desafio da ressocialização em Araxá

Juiz afirma que as drogas são um caminho sem volta para o crime

Renato Zupo, chegou de uma turnê pela Europa para o lançamento do livro “Simplifica Direito: o Direito sem as partes chatas”

O Papo com a Nat desta sexta-feira (15), do programa Super Tarde, da Rádio Imbiara FM (91,5), recebeu  Renato Zupo,  juiz de direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais atuante na comarca de Araxá, escritor, professor e palestrante. Ele é autor do livro Simplifica Direito – O direito sem as partes chatas, que quer ajudar a desvendar o vocabulário usado por profissionais dessa área. A obra já está em sua segunda edição.

Durante a entrevista, o juiz  contou que criou o livro para o público comum, para desburocratizar a linguagem jurídica, mas isso não impede que alcance também pessoas da área e concurseiros. O livro,  por exemplo, recentemente foi lançado para  o público brasileiro que mora na Europa.

“Como juiz de Direito eu não poderia deixar de atingir os nosso jovens de baixa renda, e os jovens do exterior brasileiros distantes da cultura pátria estão sujeitos aos estereótipos culturais  em como o Brasil é visto lá fora. É um livro que tem uma acessibilidade social. É a terceira vez que fazemos isso, vamos à Europa realizar palestras e fazer oficinas para os brasileiros”, explica o juiz.

O livro foi editado em parceria com a Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. Foto: Lançamento em BH

A linguagem bem humorada do livro procura explicar o Direito para o público leigo com esclarecimento de como funciona, de forma simples, os fóruns de Justiça do país e esclarecer as dúvidas que todo mundo tem.

“O livro é mais direto nisso. Atinge o cidadão comum com o português jornalístico de segundo grau e ensino médio”, conta Zupo.

Durante a entrevista, o juiz falou sobre o problema social que é a criminalidade no Brasil e pontou os aspectos relevantes aos cenários atuais impostos pela pandemia.

“Estávamos em isolamento social e por bem ou por mal isso conteve a criminalidade. O bandido também se isolou e as ruas ficaram mais desertas, a vida noturna ficou mais rara, e com isso tivemos menos incidências violentas. Com o fim do isolamento social foi como abrir uma porteira para uma manada, pois as vitimas em potencial voltaram para as ruas e os bandidos também. A crise econômica mundial afeta, pois não tendo o dinheiro e a falta de ocupação honesta é um grande provocador da violência, assim como as drogas são”, enfatiza.

“O cidadão brasileiro condenado não é colocado integral e imediatamente na sociedade. Ele é colocado pouco a pouco, o que significa que ele sai do regime fechado, semi aberto e aberto e termina no livramento condicional e ele é cuidado pelo Estado ao longo de todo esse processo. Essa responsabilidade da comunidade é exercida através de uma entidade que busca capacitar esse recuperando para a ressocialização no mercado de trabalho, para cuidar dele. Nesse processo de ressocialização em Araxá quem é responsável é o CONSEP - Conselho Comunitário de Segurança Pública”, conta.

O juiz também falou sobre o uso de drogas ser o principal fator de reincidência da criminalidade.

“Drogas, Nat, é uma maldição, onde ela entra nada dá certo. Para virar um cidadão de bem é necessário tirar a droga imediatamente. Não existe isso de “só um baseadinho”, não existe “droga recreativa”. Droga é droga", ressalta.  

 

Veja a entrevista completa pelo Youtube: