A psicóloga Drica Prates e a estudante de psicologia Mariana Ribeiro falam sobre a campanha Setembro Amarelo e o que ela representa
O Papo com a Nat desta sexta-feira (15), do programa Super Tarde da Rádio Imbiara FM (91,5), recebeu a psicóloga Drica Prates e a estudante de psicologia Mariana Ribeiro para falar sobre a campanha Setembro Amarelo.
O suicídio é uma triste realidade que atinge o mundo todo e gera grandes prejuízos à sociedade. De acordo com a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde - OMS em 2019, são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de 01 milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.
Durante entrevista a Psicóloga Drica Prates falou sobre a campanha e o que ela representa, e pontou sobre a responsabilidade do assunto ser levado a sério durante todos os dias do ano.
“Setembro Amarelo é um mês que nós tiramos para evidenciar a discussão sobre prevenção e trabalhar a saúde mental, especialmente para prevenir a tentativa de auto extermínio como a gente usa a nomenclatura na psicologia TAE - Tentativa de Auto Extermínio, mas comumente falado como suicídio. Portanto, esse não é um mês para conscientizar para conscientizar é todo dia enquanto vivemos. E eu gosto de usar muito uma frase que é ser um cheiro de vida para outras vidas é nós precisamos assumir essa postura ser um cheiro de vida para outras vidas durante todo o ano, mas no mês de setembro nós então colocamos em maior evidência, em maior destaque essa discussão que serve para informar melhor a população e colocar na consciência de pessoas que talvez estejam adormecidas quanto a esse problema”, disse a psicóloga.
Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha. Mariana Ribeiro, estudante do 8º período de psicologia afirma que o conhecimento é o único caminho para a redução dos números.
“Algumas ações se tornam até automáticas, como essa questão de entregar um bombonzinho, ou Post amarelinho nas redes sociais com os dizerem “sua vida importa”, e sabemos que vai muito para além disso, e é importante termos atitudes como essa onde nós estamos aqui falando, e discutindo um pouquinho sobre esse tema para aprofundar um pouquinho mesmo e não ficar no superficial para que possamos tomar conhecimento sobre a importância”, ressaltou a estudante.
Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida, os seus pensamentos, sentimentos e ações apresentam-se muito restritivos, ou seja, ela pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema. Essas pessoas pensam rigidamente pela distorção que o sofrimento emocional impõe. Mesmo com todos esses indícios de normalidade, algumas pessoas afirmam que isso está longe da realidade de muitos.
“Só está longe da nossa realidade porque nós temos vivido olhando para o nosso próprio umbigo e aí quando eu vivo assim a Mari que tá aqui do meu lado tá longe da minha realidade. E ISSO parece distante, mas só parece não está distante. Pessoas do seu lado que trabalham com você, pessoas da sua família podem estar se sentindo assim e muitas vezes sem nem saber que estão sentindo. Por exemplo, aquela fala nossa que diz “queria dormir e não acordar mais” ou até mesmo tem uma fala muito famosa das mães mas que é carregada de uma de um cansaço da vida que é assim: “eu vou sumir, ninguém nunca mais vai me ver” são fala carregadas de uma carga emocional que está conectada com esse cansaço da vida” , considera Drica.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa e morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades. Como estudante, Mariana disse que cuida da saúde mental com muita responsabilidade e que todos deveriam fazer o mesmo.
“Até essa automotivação de certa forma depende de vários fatores, e passa por qualidade de vida também, falando de mim enquanto estudante o que que eu faço para além da faculdade é me organizar, eu preciso me organizar, o planejamento para mim ele é essencial então desde quando eu acordo até a última hora do meu dia eu me planejo porque senão meu dia vira uma desorganização e isso pelo menos para mim impacta e eu vejo também com os meus colegas quando a gente conversa diretamente na nossa qualidade de vida, então a gente precisa olhar para nós para além do Estudante, porque eu também sou Mariana filha a Mariana noiva e a Mariana estudante eu preciso dar conta de todos esses todos esses papéis para que eu não adoeça, então acho importante a gente olhar em todas as esferas da nossa vida e para além disso”, conclui Mariana.
Se informar para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave. É muito importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, mas principalmente levando-a ao médico psiquiatra, que vai saber como manejar a situação e salvar esse paciente.
Assista a entrevista completa