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Postado em: 01/09/2026 - 15:05 Última atualização: 01/09/2026 - 15:11
Por: Caio César - Portal Imbiara

Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá celebra nova corte em cerimônia de devoção e ancestralidade

Evento reuniu ternos, representantes da cultura afro-brasileira e antigos guardiões da tradição, reforçando a importância do patrimônio cultural imaterial do município

Tradição de seis décadas foi celebrada com música, religiosidade e homenagem aos responsáveis por manter viva a cultura negra em Araxá. Foto: Divulgação

A Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá realizou, no último domingo (30 de agosto), uma celebração marcada pela fé, tradição, ancestralidade e valorização da cultura negra. O evento reuniu gerações de congadeiros, moçambiqueiros, representantes da comunidade e visitantes em uma programação que reforçou a importância da preservação do patrimônio cultural imaterial do município.

A jornada começou nas primeiras horas da manhã, na residência de Teresa Cristina e Adrian Samarone, onde foi realizada a tradicional tirada dos mastros. A partir dali, os ternos de Congada e Moçambique seguiram em cortejo até o bairro São Pedro, conduzindo os símbolos sagrados da festividade.

O percurso foi marcado pela força dos tambores e pelos cantos dos ternos Moçambique Raiz Africana, Moçambique Verde e Branco de Araxá e Moçambique Herança Negra, de Campos Altos, que participou como grupo visitante.

Durante a alvorada, os integrantes foram recebidos na residência de Valdete, onde participaram de um café da manhã. O momento de confraternização contou também com a presença dos Reis Perpétuos de Araxá, Maria Marta Caetano e João Marques Caetano, considerados importantes guardiões da tradição local.


Cerimônia no Cruzeiro de São Benedito reuniu representantes da cultura de matriz africana e reforçou a transmissão da tradição entre gerações. Fotos: Divulgação

Coroação da nova corte

A partir das 10h, a programação se concentrou no Cruzeiro de São Benedito, na Praça do Goiano, no bairro São Geraldo, onde foi realizada a cerimônia de coroação da nova corte.

O ato foi conduzido pelo Hungbono Rodrigo, sacerdote de matriz africana, sob a liderança de Sua Majestade Jaime Byron, Rei da Coroa Grande, e Alexandra Maria, Rainha da Coroa Grande.

A cerimônia oficializou os novos representantes da festividade. Adrian Samarone e Teresa Cristina foram coroados Rei Bordon e Rainha Bordon, os Reis dos Mastros, assumindo a missão de zelar pelos símbolos sagrados e contribuir para a abertura dos caminhos da celebração.

Também foram coroados como Rei Congo e Rainha Conga Luiz Gonzaga da Silva e Marlene Apolinário, reconhecidos pela trajetória de dedicação à preservação da cultura e da tradição dos Congados e Moçambiques em Araxá.

Maryleia Santos assumiu o posto de Princesa Isabel, enquanto Fernanda Vaz foi coroada Marquesa.

A celebração contou ainda com a participação de Toninho, Rei Congo Emérito de Araxá e um dos pioneiros e fundadores do festejo, e Vânia Lúcia, Rainha Conga Emérita. A presença dos antigos representantes reforçou a ligação entre as diferentes gerações responsáveis pela continuidade da manifestação cultural.


Com 60 anos de história, festividade reafirma o compromisso com a preservação dos Congados e Moçambiques e da identidade cultural do município. Fotos: Divulgação

Seis décadas de história

A festa dos Congados e Moçambiques chega aos 60 anos de história em Araxá, mantendo vivas manifestações de matriz africana, a religiosidade e os costumes transmitidos entre gerações.

Após a cerimônia de coroação, a programação foi encerrada com uma confraternização no Quartel da Mocidade. Um almoço comunitário reuniu capitães, dançadores, reis, rainhas e visitantes que participaram das atividades ao longo do dia.

Para a Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá, a realização do evento representa o compromisso com a salvaguarda, a valorização e a transmissão da identidade cultural e religiosa da comunidade negra do município.

A celebração também ocorreu próxima ao Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, celebrado em 31 de agosto e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data destaca a história, a resistência e as contribuições das populações afrodescendentes em diferentes partes do mundo.

Em Araxá, a celebração da ancestralidade encontra também espaço em iniciativas como o Ponto de Cultura MOVART, que atua na promoção da cultura e na ampliação do acesso às manifestações culturais.

Assim, entre tambores, coroas, mastros, fé e encontros entre gerações, os Congados e Moçambiques de Araxá reafirmam uma história construída ao longo de seis décadas e que continua sendo passada adiante pelas novas gerações.