Evento reuniu ternos, representantes da cultura afro-brasileira e antigos guardiões da tradição, reforçando a importância do patrimônio cultural imaterial do município
A Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá realizou, no último domingo (30 de agosto), uma celebração marcada pela fé, tradição, ancestralidade e valorização da cultura negra. O evento reuniu gerações de congadeiros, moçambiqueiros, representantes da comunidade e visitantes em uma programação que reforçou a importância da preservação do patrimônio cultural imaterial do município.
A jornada começou nas primeiras horas da manhã, na residência de Teresa Cristina e Adrian Samarone, onde foi realizada a tradicional tirada dos mastros. A partir dali, os ternos de Congada e Moçambique seguiram em cortejo até o bairro São Pedro, conduzindo os símbolos sagrados da festividade.
O percurso foi marcado pela força dos tambores e pelos cantos dos ternos Moçambique Raiz Africana, Moçambique Verde e Branco de Araxá e Moçambique Herança Negra, de Campos Altos, que participou como grupo visitante.
Durante a alvorada, os integrantes foram recebidos na residência de Valdete, onde participaram de um café da manhã. O momento de confraternização contou também com a presença dos Reis Perpétuos de Araxá, Maria Marta Caetano e João Marques Caetano, considerados importantes guardiões da tradição local.

Cerimônia no Cruzeiro de São Benedito reuniu representantes da cultura de matriz africana e reforçou a transmissão da tradição entre gerações. Fotos: Divulgação
Coroação da nova corte
A partir das 10h, a programação se concentrou no Cruzeiro de São Benedito, na Praça do Goiano, no bairro São Geraldo, onde foi realizada a cerimônia de coroação da nova corte.
O ato foi conduzido pelo Hungbono Rodrigo, sacerdote de matriz africana, sob a liderança de Sua Majestade Jaime Byron, Rei da Coroa Grande, e Alexandra Maria, Rainha da Coroa Grande.
A cerimônia oficializou os novos representantes da festividade. Adrian Samarone e Teresa Cristina foram coroados Rei Bordon e Rainha Bordon, os Reis dos Mastros, assumindo a missão de zelar pelos símbolos sagrados e contribuir para a abertura dos caminhos da celebração.
Também foram coroados como Rei Congo e Rainha Conga Luiz Gonzaga da Silva e Marlene Apolinário, reconhecidos pela trajetória de dedicação à preservação da cultura e da tradição dos Congados e Moçambiques em Araxá.
Maryleia Santos assumiu o posto de Princesa Isabel, enquanto Fernanda Vaz foi coroada Marquesa.
A celebração contou ainda com a participação de Toninho, Rei Congo Emérito de Araxá e um dos pioneiros e fundadores do festejo, e Vânia Lúcia, Rainha Conga Emérita. A presença dos antigos representantes reforçou a ligação entre as diferentes gerações responsáveis pela continuidade da manifestação cultural.

Com 60 anos de história, festividade reafirma o compromisso com a preservação dos Congados e Moçambiques e da identidade cultural do município. Fotos: Divulgação
Seis décadas de história
A festa dos Congados e Moçambiques chega aos 60 anos de história em Araxá, mantendo vivas manifestações de matriz africana, a religiosidade e os costumes transmitidos entre gerações.
Após a cerimônia de coroação, a programação foi encerrada com uma confraternização no Quartel da Mocidade. Um almoço comunitário reuniu capitães, dançadores, reis, rainhas e visitantes que participaram das atividades ao longo do dia.
Para a Associação Cultural de Congados e Moçambiques de Araxá, a realização do evento representa o compromisso com a salvaguarda, a valorização e a transmissão da identidade cultural e religiosa da comunidade negra do município.
A celebração também ocorreu próxima ao Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, celebrado em 31 de agosto e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data destaca a história, a resistência e as contribuições das populações afrodescendentes em diferentes partes do mundo.
Em Araxá, a celebração da ancestralidade encontra também espaço em iniciativas como o Ponto de Cultura MOVART, que atua na promoção da cultura e na ampliação do acesso às manifestações culturais.
Assim, entre tambores, coroas, mastros, fé e encontros entre gerações, os Congados e Moçambiques de Araxá reafirmam uma história construída ao longo de seis décadas e que continua sendo passada adiante pelas novas gerações.