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Postado em: 24/02/2026 - 08:45 Última atualização: 24/02/2026 - 08:47
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Juiz de Fora decreta calamidade e suspende aulas após temporal provocar 20 soterramentos e 14 mortes

Chuva pode chegar a 12 milímetros nesta terça-feira, com umidade elevada e previsão de pancadas também nos próximos dias

Ruas e avenidas alagadas em Juiz de Fora. Fotos: Redes Sociais

A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, decretou estado de calamidade pública e suspendeu as aulas nesta terça-feira (24), após um forte temporal causar destruição em vários bairros. Até o momento, 14 mortes foram confirmadas e cerca de 20 soterramentos estão registrados.

Em pronunciamento divulgado durante a madrugada, a prefeita Margarida Salomão (PT-MG) informou que fevereiro já é o mês mais chuvoso da história do município, com acumulado de 584 milímetros.

“Isso nos trouxe uma série de transbordamentos, desde situações muito graves até ocorrências de soterramentos, que neste momento continuam aumentando. Temos registrados cerca de 20 soterramentos, especialmente na região Sudeste da cidade”, afirmou.

O Rio Paraibuna saiu da calha e os córregos transbordaram, agravando ainda mais a situação. “Os córregos estão todos absolutamente transbordando. É uma situação de calamidade”, declarou a prefeita ao anunciar o decreto.

Trabalhadores da Prefeitura na limpeza das rua de Juiz de Fora. Foto: Prefeitura de Juiz de Fora

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, há registros de casas desabadas, pessoas soterradas, ilhadas ou presas dentro de residências, além de áreas com risco iminente de novos deslizamentos.

Bairros como Grajaú, Cerâmica, Vila Alpina, Nossa Senhora de Lourdes, Eldorado e Esplanada concentram parte das ocorrências, com relatos de idosos e crianças sob escombros e necessidade de maquinário pesado para as buscas.

Entre as ocorrências em destaque estão desabamentos com vítimas presas, veículos arrastados por deslizamentos, vazamento de gás, além de imóveis com risco estrutural tanto em Juiz de Fora quanto na cidade vizinha de Ubá.

As equipes seguem mobilizadas desde a madrugada em uma força-tarefa para resgatar vítimas, atender famílias atingidas e monitorar áreas de risco, enquanto o município enfrenta uma das situações mais graves já registradas em decorrência das chuvas.

"A prefeita Margarida Salomão decretou estado de calamidade pública em Juiz de Fora em razão das fortes chuvas registradas desde a noite de 22 de fevereiro de 2026.

O município acumulou 584 milímetros de chuva até a madrugada do dia 24, tornando este o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com volume quase quatro vezes acima da média. As precipitações causaram alagamentos generalizados, enxurradas, deslizamentos de terra, desabamentos, bloqueios de vias, pessoas ilhadas e risco estrutural em diversas áreas.

O decreto reconhece o desastre como “tempestade local convectiva – chuvas intensas” (COBRADE 1.3.2.1.4) e permite:

  • Mobilização de todos os órgãos municipais para ações de resposta, reconstrução e assistência à população;

  • Convocação de voluntários e realização de campanhas de arrecadação;

  • Entrada em imóveis para resgate ou evacuação em caso de risco iminente;

  • Uso de propriedades particulares em situação de perigo público, com indenização posterior se houver dano;

  • Início de processos de desapropriação, se necessário;

  • Dispensa de licitação para compra de bens e contratação de serviços emergenciais, conforme a legislação federal.

O decreto tem validade de 180 dias e possibilita ao município buscar apoio estadual e federal para enfrentamento da crise"