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Postado em: 15/09/2021 - 09:02 Última atualização: 15/09/2021 - 17:44
Por: Felipe Madeira/Natália Fernandes - Portal Imbiara

Centro de Desenvolvimento Ambiental da CBMM é um templo do Cerrado

No último sábado (11) se comemorou o Dia do Cerrado, o segundo bioma mais ameaçado do mundo; em Araxá, um espaço reservado criado há quase 30 anos luta pela preservação de espécies em extinção

O local busca preservar a fauna e a flora do bioma local, promovendo pesquisas. Fotos: Felipe Madeira/Portal Imbiara

A apenas um ano de completar 30 de trabalhos com a fauna e a flora da região de Araxá, o Centro de Desenvolvimento Ambiental da CBMM já pode ser considerado um verdadeiro templo do Cerrado brasileiro. Ali são abrigados 108 animais de 17 espécies diferentes típicas do segundo bioma mais ameaçado do país. Muitas delas ameaçadas de extinção. Além disso, no ambiente são preservadas espécimes da flora local que são reproduzidas para reflorestamento. 

Local dedicado a reprodução de espécies da fauna do Cerrado e outras plantas que são doadas aos colaboradores e a comunidade em trabalhos diversos

Os trabalhos no segmento pela empresa começaram em meados de 1984, com o viveiro de mudas. “Quando você faz uma licença para uma barragem você tem as condicionantes ambientais que são as áreas que você quer recompor em troca da área que você está retirando”, explica a coordenadora do CDA, Liliane Veloso. Ela ainda conta que as mudas de espécies do Cerrado são difíceis de conseguir, por isso, a necessidade da empresa em começar o tipo de trabalho. Com o foco na valorização ambiental, o primeiro ambiente criado pela CBMM chegou a abrigar inclusive um leão.

Coordenadora do CDA, Liliane Veloso desenvolve projetos de reprodução e pesquisa de diversas espécies

A primeira proposta de trabalho com o meio ambiente foi o desenvolvimento de um parque natural. No entanto, com o tempo, o local foi tomando outra finalidade. Caracterizado como criadouro científico, o CDA recebe e cria animais vulneráveis naturais da região. Ao chegar no local, se pode ver espécies que um dia dominaram o bioma araxaense, mas que nos dias de hoje são raros de serem vistos. Cágados e tartarugas, pássaros diversos, macacos, emas, lobos guará, antas e uma tamanduá que vivem ali em espaços dedicados a eles, trazem para o local uma áurea de preservação que nos convida a pensar sobre a preservação do que corremos risco de perder. 

Tamanduá bandeira Cristal, uma dos quatro da espécie abrigados no local

A mudança de parque para criadouro ocorreu em 1992. Pioneira na educação ambiental, a CBMM ainda proporciona o conhecimento e busca conscientização de crianças da cidade. Ali, são desenvolvidos projetos com crianças das escolas onde as mesmas podem aprender sobre a fauna e a flora local. Além disso, cerca de 130 estudos científicos já foram realizados com oito universidades diferentes. “Somos uma reserva de banco de genética. Os animais estão ameaçados de extinção. A gente trabalha essa questão de reprodução aqui e caso venha faltar no futuro nós temos exemplares que estão aptos a serem reproduzidos”, explica Roberta Soares, veterinária do CDA.

Veterinária Robertas Soares apresenta as dependencias e trabalhos realizados com os animais

Os trabalhos da iniciativa ambiental já extrapolam as cercas dos viveiros e inclusive colabora com a preservação em biomas localizados em outros estados. Em 2017, o CDA foi protagonista no processo de introdução de anta ao seu habitat natural. O projeto foi realizado no estado do Rio de Janeiro, onde ali a espécie já havia sido extinta há mais de 100 anos. Roberta Soares explica que os três dos primeiros animais a serem introduzidos no ambiente partiram do centro ambiental da CBMM. “Você introduzir um animal não é simplesmente pegá-lo e jogá-lo na natureza. Ele não sabe como sobreviver, então existe todo um período de aclimatação”, conta a veterinária.

Hoje o CDA abriga dez exemplares de antas, espécie ameaçada de extinção em nivel vulneravel

O pioneirismo dos trabalhos desenvolvidos ali não param por aí. Além do desenvolvimento de distribuição de mudas para projetos da região, a empresa também doa 10 mudas para cada funcionário por ano. Esta iniciativa visa desenvolver no colaborador a sensibilidade para o cultivo e preservação do meio ambiente e árvores típicas do Cerrado. Outro trabalho de referência são os desenvolvidos com os lobos guarás. O CDA registrou a primeira reprodução do mundo em cativeiro. 

O sucesso se deve ao trabalho para a reprodução do habitat natural do animal, com espaço suficiente para adaptação e acasalamento no cativeiro. Os funcionários da empresa ainda participam de forma indireta nos cuidados e criação dos animais do local. Uma loba resgatada recentemente pelo centro teve seu nome escolhido em enquete pelos familiares dos colaboradores. Batizada como “Amora”, a loba guará é a mais nova integrante do complexo. 

Lobo Dani passeia no espaço designado para ele e mais uma fêmea da espécie

Após 20 anos, o CDA se prepara para mais uma mudança. Com a implantação de área de extração no local onde é localizado o atual local de trabalho ambiental da empresa, os trabalhos que ali são desenvolvidos deverão ser realocados para um novo local, com nova estrutura que comporte a expansão do serviço de preservação, cada vez mais necessário para um crescimento sustentável e de respeito para com o meio ambiente.