País ocupa a 4ª posição no ranking mundial; mulheres são as mais afetadas
O Brasil vive uma realidade preocupante entre os jovens de 18 a 24 anos: quase um quarto dessa faixa etária está fora da escola e também sem emprego. Esse contingente, conhecido como geração “nem-nem”, coloca o país na quarta colocação mundial com maior proporção de jovens nessa situação.
O dado revela uma taxa de 24%, quase o dobro da média dos países de renda mais elevada, onde a proporção é de 14%. Só Colômbia, Costa Rica e África do Sul registram índices piores que o brasileiro. Na outra ponta, países como Islândia e Holanda têm apenas 5% de jovens nessa condição.
Apesar do cenário delicado, o Brasil apresentou alguma melhora nos últimos cinco anos. Em 2019, o índice chegava a 30%, e caiu seis pontos até 2024. Essa redução mostra que políticas voltadas à transição da escola para o mercado de trabalho têm surtido algum efeito, mas ainda insuficiente para equilibrar a realidade.
Desigualdade de gênero
A pesquisa evidencia que a situação atinge mais as mulheres: 29% delas não estudam nem trabalham, contra 19% entre os homens. Enquanto nos países mais desenvolvidos a diferença entre gêneros praticamente não existe, no Brasil o peso da desigualdade social e cultural recai principalmente sobre as jovens, muitas vezes responsáveis por tarefas domésticas ou pelo cuidado de familiares.
Consequências a longo prazo
Especialistas alertam que esse afastamento precoce do mercado e da educação pode trazer impactos duradouros. Jovens sem acesso ao ensino superior ou a cursos técnicos perdem oportunidades de qualificação e experiência, o que dificulta sua inserção profissional no futuro. Além disso, períodos prolongados de inatividade elevam os riscos de exclusão social, desânimo e até problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.
Oportunidade e urgência
O levantamento mostra ainda que países que conseguiram reduzir esses índices investiram em programas de qualificação profissional, incentivo a estágios e apoio financeiro para permanência dos jovens na escola. Para o Brasil, o recado é claro: é preciso acelerar a criação de políticas públicas eficazes para que essa geração não seja perdida.
Em uma fase crucial de transição para a vida adulta, os jovens brasileiros precisam de mais acesso à educação, trabalho e oportunidades. O futuro do país depende da capacidade de transformar esse desafio em inclusão social e desenvolvimento econômico.