Operadora acumula dívida de R$ 1,7 bilhão e segue com serviços provisórios até transição
A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta segunda-feira (10) a falência do Grupo Oi, após quase uma década em recuperação judicial. A decisão da juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial, aponta que a empresa está tecnicamente falida, com dívida de cerca de R$ 1,7 bilhão, receita mensal de R$ 200 milhões e patrimônio “esvaziado”.
A sentença converte o processo de recuperação em falência e determina a liquidação ordenada dos ativos para pagamento dos credores. As operações da Oi continuarão provisoriamente até que outras empresas assumam os serviços, garantindo a conectividade e os atendimentos essenciais, como os números de emergência 190, 192 e 193.
O processo será conduzido pelo escritório Preserva-Ação, que já atuava como administrador judicial. As subsidiárias Portugal Telecom International Finance (PTIF) e Oi Brasil Holdings Coöperatief U.A. também estão incluídas na falência.
A magistrada determinou ainda o bloqueio de valores ligados à V.tal, parceira da Oi, e suspendeu ações judiciais contra a companhia. A Justiça e o Ministério Público criticaram a falta de atuação do governo federal durante a crise, classificada como “histórica e continuada”.
Fundada em 1998, a Oi chegou a ser uma das maiores operadoras de telecomunicações do país, com presença em cerca de 7 mil localidades brasileiras. A empresa entrou em recuperação judicial pela primeira vez em 2016, com R$ 65 bilhões em dívidas, e novamente em 2023, sem conseguir se reerguer.
Com a falência decretada, encerra-se o ciclo da antiga “supertele nacional”, símbolo da telefonia brasileira nas últimas décadas.