BEM BRASIL
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Postado em: 08/12/2025 - 09:22 Última atualização: 08/12/2025
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Fiocruz revela aumento do suicídio entre jovens no Brasil e aponta população indígena como a mais vulnerável

Estudo da Fiocruz mostra aumento do risco de suicídio entre jovens no Brasil e alerta para índices ainda mais altos entre a população indígena.

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um novo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) acende um alerta sobre a saúde mental da juventude brasileira. O levantamento mostra que jovens apresentam risco maior de suicídio do que a média da população. A taxa é de 31,2 casos por 100 mil habitantes, enquanto a média geral do país é 24,7. Entre os homens jovens, o índice chega a 36,8.

O dado mais preocupante aparece entre os jovens indígenas: essa população registra a maior taxa de suicídio do Brasil, com 62,7 por 100 mil habitantes. Entre indígenas homens de 20 a 24 anos, o índice salta para 107,9. Já entre as jovens indígenas de 15 a 19 anos, a taxa é de 46,2.

As informações fazem parte do 2º Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Saúde Mental, produzido pela Agenda Jovem Fiocruz e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).

A pesquisadora Luciane Ferrareto explica que fatores culturais e a dificuldade de acesso a serviços de saúde contribuem para esses números. “Os indígenas hoje têm muito acesso à informação, mas ainda há muito preconceito contra eles na sociedade”, afirmou.

Internações por saúde mental aumentam entre homens jovens

O estudo também mostra que homens jovens representam a maioria das internações por problemas de saúde mental: 61,3% do total. A taxa é de 708,4 internações por 100 mil habitantes, número 57% maior que o registrado entre mulheres jovens.

O abuso de substâncias psicoativas é o principal motivo dessas internações. Entre os homens jovens internados:

38,4% tiveram como causa o uso de drogas;

68,7% dos casos envolvem múltiplas drogas;

13,2% estão ligados ao consumo de cocaína;

11,5% ao álcool.

Entre as mulheres, a principal causa é a depressão.

A pesquisadora da EPSJV destaca que a pressão por um ideal de masculinidade afasta muitos jovens homens dos cuidados emocionais e psicológicos. Muitos também enfrentam falta de trabalho, renda instável e responsabilidades familiares precoces.

Violência e desigualdade marcam a saúde mental feminina

Entre as jovens mulheres, principalmente de 15 a 19 anos, a violência física e sexual — muitas vezes dentro da própria família — é apontada como uma das principais portas para o adoecimento mental.

Mulheres de 22 a 29 anos também passam por dificuldades como:

abandono dos estudos para cuidar dos filhos ou familiares;

falta de políticas públicas de acolhimento;

relações abusivas;

empregos precários;

assédio no ambiente de trabalho.

Jovens procuram menos os serviços de saúde

Mesmo sendo o grupo que mais sofre, os jovens são os que menos procuram atendimento. Apenas 11,3% dos atendimentos nas unidades básicas de saúde são voltados para saúde mental entre pessoas de 15 a 29 anos. Na população geral, essa proporção é de 24,3%.

As taxas de internação também chamam atenção:

579,5 internações por 100 mil jovens;

Entre 20 e 24 anos: 624,8;

Entre 25 e 29 anos: 719,7.

Esses índices são mais altos do que os da população adulta acima de 30 anos.

O coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho, reforça que a juventude é a mais afetada por problemas emocionais, violências e acidentes de trabalho — mas é também a que menos encontra acolhimento.
“Muitas vezes os jovens, a sociedade e o Estado agem como se eles tivessem que aguentar qualquer coisa exatamente por serem jovens”, disse.

Busque ajuda: você não está sozinho

O Ministério da Saúde reforça que qualquer pessoa com pensamentos suicidas deve buscar apoio imediato. Conversar com alguém de confiança pode ser o primeiro passo para romper o silêncio.

Onde procurar ajuda:

Centros de Atenção Psicossocial (Caps)

Unidades Básicas de Saúde (Estratégia Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde)

UPA 24h, SAMU 192, Pronto-Socorro e Hospitais

Centro de Valorização da Vida (CVV) – telefone 188 (ligação gratuita), atendimento 24 horas por telefone, chat e e-mail

Falar é fundamental. Se precisar, peça ajuda. Você não está sozinho.