BEM BRASIL
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Postado em: 17/02/2026 - 08:01 Última atualização: 17/02/2026
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Pesquisadora da UFRJ lidera estudo promissor com polilaminina para tratamento de lesões medulares

Após mais de 25 anos de pesquisas, Tatiana Sampaio coordena avanço que já apresenta resultados animadores em pacientes

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordena estudo com a polilaminina. Foto: Agência Brasil

A professora Tatiana Coelho de Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lidera uma das pesquisas mais promissoras do país no tratamento de lesões medulares.

Após mais de duas décadas de estudos, a equipe desenvolveu a polilaminina, uma molécula experimental que pode ampliar as chances de recuperação de pessoas com paraplegia e tetraplegia provocadas por acidentes.

A polilaminina é uma versão produzida em laboratório da laminina, proteína presente no organismo humano e extraída da placenta. A substância atua estimulando neurônios que interromperam seu desenvolvimento, favorecendo a regeneração dos axônios — estruturas responsáveis por transmitir impulsos elétricos entre o cérebro e o corpo.

Com isso, há possibilidade de restabelecer conexões nervosas e recuperar movimentos antes considerados irreversíveis.

Resultados iniciais

Na fase experimental, oito pacientes com lesão medular receberam uma aplicação da proteína diretamente no local da lesão, em até 72 horas após o trauma. Dois não resistiram à gravidade do quadro clínico. Os outros seis apresentaram diferentes níveis de recuperação, com melhora parcial ou total dos movimentos.

Um dos casos mais conhecidos é o de Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um grave acidente de carro em 2018 e ficou tetraplégico. Após receber a aplicação da polilaminina 24 horas depois da lesão, começou a apresentar movimentos semanas depois. Em pouco mais de um ano, voltou a caminhar e hoje leva vida ativa.

Testes também foram realizados em cães e ratos, com resultados positivos, especialmente em lesões não provocadas.

Parceria e avanço regulatório

Ao longo do desenvolvimento, o projeto contou com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Em 2021, a pesquisadora firmou parceria com o laboratório Cristália para produção em escala industrial. A empresa já investiu cerca de R$ 28 milhões no desenvolvimento do medicamento.

No início de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM). A pesquisa será realizada com voluntários entre 18 e 72 anos, com lesões torácicas recentes.

Esperança para pacientes

A pesquisa reacende a esperança de milhares de pessoas que convivem com lesões na medula espinhal. Entre elas está a ex-ginasta Laís Souza, que ficou tetraplégica após acidente em 2014. Em publicação recente nas redes sociais, ela relatou emoção ao conhecer a pesquisadora e acompanhar os avanços do estudo.

Tatiana Sampaio afirma que o objetivo é ampliar o tratamento futuramente também para pacientes com lesões crônicas. Enquanto os testes avançam, a polilaminina surge como uma nova possibilidade terapêutica desenvolvida no Brasil, com potencial de impacto internacional.