Campanha chama atenção para os altos índices de negligência, abusos e maus-tratos e destaca a importância da proteção à população idosa
No dia 15 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de chamar a atenção para os abusos, maus-tratos, negligências e diversas formas de violência que atingem milhões de idosos em todo o planeta. A mobilização integra o movimento conhecido como “Junho Violeta”, que busca sensibilizar governos, instituições e a sociedade para a defesa da dignidade e dos direitos da população idosa. Em um cenário de rápido envelhecimento populacional, o tema se torna cada vez mais urgente e relevante.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente uma em cada seis pessoas com 60 anos ou mais sofre algum tipo de violência a cada ano em todo o mundo. Esse percentual representa centenas de milhões de vítimas, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar ou institucional. A subnotificação ainda é considerada um dos maiores desafios para o enfrentamento do problema, uma vez que muitos idosos não denunciam por medo, dependência financeira ou emocional dos agressores.
No Brasil, os números também são preocupantes. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que o Disque 100 registrou mais de 179 mil denúncias envolvendo pessoas idosas em 2024, enquanto foram contabilizadas mais de 960 mil violações de direitos desse público, incluindo negligência, abandono, violência psicológica, violência patrimonial e maus-tratos. Entre as ocorrências mais frequentes destacam-se a negligência, a exposição a riscos à saúde, a violência emocional e os abusos financeiros, muitas vezes praticados por familiares próximos.
Quando esses números são comparados ao tamanho da população idosa brasileira, percebe-se a dimensão do desafio. O Brasil possui atualmente cerca de 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 17% da população nacional. Embora a maioria dos idosos viva de forma segura e protegida, os registros oficiais revelam que milhares deles continuam expostos diariamente a situações que comprometem sua saúde, autonomia e qualidade de vida.
O enfrentamento da violência depende da participação de toda a sociedade. Qualquer pessoa que presencie ou suspeite de maus-tratos pode denunciar gratuitamente por meio do Disque 100, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. Também podem ser acionadas as delegacias de polícia, os Conselhos Municipais da Pessoa Idosa, o Ministério Público, Defensoria Pública e a própria Policia Militar (190), principalmente nos casos de agressão que estejam ocorrendo na hora.
Nos últimos anos, o Governo Federal adotou medidas para fortalecer a proteção dessa população. Entre elas está a priorização das denúncias envolvendo idosos no Disque 100, com tratamento especial para pessoas com mais de 80 anos, além de operações nacionais de combate à violência, como a Operação Virtude, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em âmbito federal. Essas iniciativas demonstram que o problema exige atuação permanente e integrada dos órgãos públicos.
O alerta torna-se ainda mais importante diante do acelerado envelhecimento da população brasileira. Dados do IBGE indicam que o contingente de pessoas com 60 anos ou mais passou de cerca de 22 milhões em 2012 para mais de 34 milhões em 2024, crescimento superior a 50% em pouco mais de uma década. As projeções demográficas apontam que, nas próximas décadas, os idosos representarão parcela cada vez maior da população e deverão superar o número de crianças e adolescentes, consolidando o Brasil como uma sociedade predominantemente envelhecida por volta da metade deste século. Diante dessa realidade, combater a violência contra a pessoa idosa não é apenas uma questão de justiça, mas uma necessidade social que definirá a qualidade de vida das futuras gerações.