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Postado em: 22/06/2026 - 09:29 Última atualização: 22/06/2026
Por: Rogério Farah- Portal Imbiara

O inverno não bate à porta do coração: ele entra sem pedir licença

Temperaturas mais baixas aumentam a pressão sobre o sistema cardiovascular e elevam o risco de infarto, angina e outras complicações

Outro aspecto preocupante é que nem todo infarto se apresenta com a clássica dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo. Foto: Imagem gerada por IA

O inverno começou no domingo passado (21) e, para muita gente, a preocupação se resume aos agasalhos e às doenças respiratórias. No entanto, as baixas temperaturas também representam um desafio importante para o sistema cardiovascular, especialmente entre idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas que já possuem placas de gordura nas artérias. Estudos mostram que o frio favorece a contração dos vasos sanguíneos, eleva a pressão arterial e aumenta a sobrecarga do coração, criando um cenário propício para infartos, crises de angina e outras síndromes coronarianas. 

Ao contrário do que muitos imaginam, o risco não está apenas na sensação de frio. A redução da temperatura provoca vasoconstrição, tornando a circulação mais difícil e aumentando o esforço necessário para que o coração bombeie sangue para todo o organismo. Especialistas relatam que os eventos cardiovasculares podem crescer significativamente durante os meses frios, com alguns estudos apontando aumentos que chegam a 30% em determinadas populações vulneráveis.

No Brasil, o Infarto Agudo do Miocárdio continua sendo uma das principais causas de morte, com estimativas de 300 mil a 400 mil casos por ano. Segundo o Ministério da Saúde, a cada cinco a sete infartos registrados, um resulta em óbito, o que demonstra a gravidade da doença e a importância do atendimento imediato. Também anualmente, Minas Gerais contabiliza mais de 4 mil óbitos por infarto e outras quase 25 mil mortes, decorrentes de doenças do aparelho circulatório. 

Outro aspecto preocupante é que nem todo infarto se apresenta com a clássica dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo. Em idosos e diabéticos, por exemplo, o quadro pode surgir apenas com falta de ar súbita, suor frio, fraqueza incomum, tontura, náuseas, desconforto abdominal semelhante a uma gastrite, sensação de indigestão ou um mal-estar inexplicável. Em alguns casos, especialmente entre pessoas com neuropatia diabética, o evento pode ocorrer praticamente sem dor, dificultando o reconhecimento precoce dos sinais de alerta. 

A angina, frequentemente descrita como um aperto, peso ou queimação no peito durante esforços físicos ou situações de estresse, também merece atenção especial nesta época do ano. Ela pode funcionar como um aviso de que o coração está recebendo menos sangue do que necessita, antecedendo um infarto mais grave. Ignorar sintomas recorrentes, ainda que aparentemente leves, continua sendo um dos erros mais comuns observados pelos cardiologistas.

Talvez o maior perigo do inverno esteja justamente na falsa sensação de normalidade. Muitas pessoas atribuem cansaço, falta de disposição, dificuldade para respirar ou dores vagas ao clima frio, quando esses sinais podem representar manifestações precoces de uma doença cardiovascular em evolução. O problema é que o coração raramente avisa duas vezes da mesma maneira. 

Por isso, a chegada da estação mais fria do ano deve servir como um lembrete para algo simples e poderoso: prevenção salva vidas. Manter consultas regulares, controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, seguir corretamente os tratamentos prescritos e procurar atendimento diante de sintomas suspeitos continua sendo a melhor estratégia para evitar tragédias silenciosas. Afinal, quando se trata do coração, o diagnóstico precoce ainda é o agasalho mais eficiente contra os riscos do inverno.