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Postado em: 18/08/2026 - 09:32 Última atualização: 18/08/2026
Por: Rogério Farah - Portal Imbiara

“FARMAR AURA”: A nova safra do carisma digital

Saiba o significado dessa expressão, tão comentada nos últimos dias

Especialistas ouvidos recentemente sobre o fenômeno chamaram atenção justamente para essa relação entre “farmar aura”, como um tipo de validação social. Foto: Imagem gerada por IA

Se alguém disser que determinada pessoa está “farmando aura”, não é preciso chamar o agrônomo, procurar uma fazenda ou verificar se existe algum fertilizante novo no mercado. A expressão é uma gíria que nasceu da mistura entre a linguagem dos videogames e o vocabulário das redes sociais: “farmar” significa acumular recursos, pontos ou experiência, enquanto “aura” passou a representar aquela espécie de presença, estilo, confiança ou carisma que faz alguém se destacar.

Na prática, “farmar aura” significa fazer alguma coisa que aumente, ainda que simbolicamente, a percepção de que determinada pessoa é interessante, confiante, estilosa ou simplesmente “tem presença”, como tem se tornado comum ver nas redes sociais. É como se cada atitude rendesse pontos em um misterioso campeonato mundial de simpatia, com um placar invisível que ninguém consegue consultar, mas todo mundo parece disposto a comentar. Se alguém entra tranquilamente em um ambiente, resolve uma situação com elegância ou faz algo impressionante sem parecer que está tentando, pronto: +1.000 de aura! 

A brincadeira fica ainda mais interessante porque “farmar” vem justamente do universo gamer, no qual o jogador repete determinadas atividades para acumular recursos, experiência ou vantagens. A lógica foi transportada para a vida real e transformada em uma espécie de “agricultura do carisma”: quanto mais atitudes consideradas legais, autênticas ou impressionantes, maior seria a colheita de aura. Só faltou inventarem o Ministério da Agricultura da Internet para fiscalizar quem está produzindo acima da média.

A expressão ganhou força nas redes sociais, especialmente entre integrantes das gerações Z e Alfa, e passou a aparecer em vídeos, comentários, memes e situações cotidianas. Um dos episódios que ajudaram a popularizar mundialmente o conceito envolveu um jovem indonésio, que apareceu dançando na proa de uma embarcação durante o tradicional festival daquele país, no que muitos internautas consideraram uma verdadeira aula prática de “farmamento de aura”, o que serve como exemplo do neologismo que estamos aqui abordando.

Mas existe uma curiosidade importante: “farmar aura” pode ser elogio ou provocação, dependendo da situação. Se alguém faz algo naturalmente bacana, pode ouvir que “farmou aura”; entretanto, se estiver se esforçando demais para parecer descolado, a mesma expressão pode significar exatamente o contrário — uma espécie de “amigo, você está tentando tanto ser espontâneo que já deixou de ser espontâneo”, em uma espécie de crítica ácida. Os próprios sites que abordam o tema, registram essa possibilidade, ou seja, da situação vexatória que ocorre quando a tentativa exagerada de cultivar essa imagem acaba parecendo artificial ou até constrangedora.

Por isso, existe uma pequena lição escondida atrás da piada: a busca permanente por aprovação pode transformar a vida em uma espécie de videogame social, no qual cada gesto precisa render curtidas, elogios ou reconhecimento. Especialistas ouvidos recentemente sobre o fenômeno chamaram atenção justamente para essa relação entre “farmar aura”, como um tipo de validação social e pressão para apresentar determinada imagem de si mesmo. Em outras palavras, até a aura precisa tomar cuidado para não virar funcionário em tempo integral do departamento de marketing pessoal.

No fim das contas, talvez a melhor maneira de “farmar aura” seja justamente não ficar obcecado em farmar aura, embora isso até pareça inicialmente contraditório, Ser educado, ajudar alguém, demonstrar segurança, ter bom humor, fazer algo bem feito e tratar os outros com respeito provavelmente continua sendo uma receita muito mais eficiente — e menos cansativa — do que passar o dia tentando parecer interessante. Porque, se existe mesmo um placar invisível distribuindo pontos de carisma por aí, talvez a maior pontuação seja aquela conquistada sem ninguém perceber que você estava jogando.