Postado em: 21/09/2026 - 15:23 Última atualização: 21/09/2026 - 15:32
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Ministério da Saúde identifica 97 perfis com falsos médicos criados por IA e cobra remoção de vídeos do YouTube

Análise identificou conteúdos com promessas de curas milagrosas e tratamentos sem comprovação científica

No mês passado, a Anvisa emitiu um alerta sobre os

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que remova vídeos que utilizam inteligência artificial (IA) para simular médicos e outros profissionais de saúde e disseminar informações falsas. A medida busca combater conteúdos que prometem curas milagrosas, divulgam tratamentos sem comprovação científica e podem colocar a saúde da população em risco.

A iniciativa foi motivada por uma análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que identificou 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. As informações também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.

Segundo o Ministério da Saúde, os vídeos utilizam avatares com aparência humana, apresentados como médicos ou especialistas, e atribuem a eles qualificações profissionais fictícias para conferir credibilidade às informações divulgadas. Parte dos perfis é direcionada especialmente à população idosa.

Além de disseminar informações falsas, alguns canais utilizam os personagens criados por IA para promover produtos, e-books e serviços pagos. Entre os riscos apontados estão a automedicação, o uso de terapias sem eficácia comprovada, o atraso na busca por atendimento médico e a interrupção de tratamentos prescritos por profissionais de saúde.

Prazo para remoção

Na notificação enviada em 4 de setembro, a AGU solicitou ao YouTube que, no prazo de 72 horas, retire do ar os conteúdos identificados ou adote medidas de alerta e contextualização, deixando clara a natureza artificial dos personagens.

A plataforma também deverá avaliar outros canais e vídeos apontados no relatório, considerando suas regras sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético, além de adotar medidas para prevenir a disseminação desse tipo de material.

A atuação integra uma força-tarefa interministerial de enfrentamento à desinformação. Por meio do programa Saúde com Ciência, o Ministério da Saúde monitora redes sociais, verifica informações e encaminha denúncias aos órgãos competentes.

AGU também atuou contra falsos comprovantes de vacinação

A notificação ao YouTube ocorre após uma ação semelhante envolvendo o Telegram. Na ocasião, a AGU solicitou a remoção de 18 grupos e canais que comercializavam comprovantes e passaportes vacinais falsificados.

Segundo o Ministério da Saúde, os responsáveis ofereciam documentos falsos e anunciavam a possibilidade de inserir registros adulterados nos sistemas oficiais do SUS. Após a notificação, o Telegram removeu os grupos e canais denunciados e excluiu a conta de um usuário identificado na apuração.

O governo orienta que a população busque informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento em fontes oficiais e confiáveis, além de denunciar conteúdos que possam colocar a saúde de outras pessoas em risco.