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Postado em: 13/04/2020 - 08:34 Última atualização: 13/04/2020
Por: Agência Brasil

Inca incentiva a deixar de fumar para evitar efeito grave da covid-19

Taxa de tabagismo caiu 40% no país, entre 2006 e 2018

Imagem meramente ilustrativa

Tendo em vista o conjunto de sintomas de covid-19 e a sobrecarga da rede de saúde no país, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) alerta os fumantes sobre a importância de largar o hábito no atual contexto. Em nota, a entidade pontuou que o tabagismo provoca inflamações e prejudica o sistema imunológico, aumentando o risco de infecções por vírus, bactérias e fungos.

O Inca também observou que os fumantes têm mais tendência a desenvolver sintomas graves de covid-19, devido à suscetibilidade ocasionada pelas substâncias nocivas do cigarro. Conforme menciona o instituto, os fumantes convivem, geralmente, com a capacidade pulmonar já reduzida. Por isso, são acometidos mais frequentemente por infecções como sinusite, traqueobronquite, pneumonia e tuberculose. "Podemos dizer que o tabagismo, por sua vez, é fator de risco para a covid-19", acrescenta o comunicado.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em média, um em cada seis infectados por covid-19 apresenta o quadro grave da doença e tem dificuldade para respirar. No Brasil, dos 800 óbitos informados pelo Ministério da Saúde até a tarde de quarta-feira (8), 655 tinham como causa a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A SRAG é capaz de desencadear a disfunção de órgãos, exigindo internação do paciente, inclusive em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ainda segundo o boletim do ministério, 59,1% dos pacientes que faleceram por SRAG eram homens.

A taxa de tabagismo caiu 40% no país, entre 2006 e 2018. Apesar disso, enquanto 6,9% das mulheres declararam ainda manter o hábito em 2018, o índice entre homens chegava a 12,1%, conforme demonstrou relatório do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

O documento do Vigitel ressalta outras informações que são relevantes, se cruzadas com os do perfil dos infectados por covid-19. No grupo de fumantes idosos com 65 anos de idade ou mais, a proporção era de 6,1%, naquele ano. Já entre pessoas na faixa etária de 55 a 64 anos, o índice dobrava, passando a ser 12,3%.

Outro aspecto a ser lembrado são os danos do fumo passivo. Anualmente, o tabagismo passivo causa cerca de 880 mil mortes em todo o mundo, das quais 58 mil, aproximadamente, são de crianças de 0 a 14 anos.

A fumaça do cigarro contém mais de 7 mil compostos e substâncias químicas. Desse total, 69, no mínimo, são cancerígenos. Embora talvez se possa pensar que não haja nada tão danoso, o Inca aponta que a fumaça que sai da ponta do cigarro e se espalha pelos ambientes carrega até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala.