BEM BRASIL
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Postado em: 10/05/2022 - 16:32 Última atualização: 11/05/2022 - 07:57
Por: Natália Fernandes - Portal Imbiara

Caminhoneiros autônomos decidem parar após frete não acompanhar a nova alta do diesel

Reajuste de 8,8% anunciado pela Petrobras elevou o preço do combustível de R$ 4,51 para R$ 4,91

O último aumento feito pela Petrobras foi registrado em 11 de março. Fotos: Natália Fernandes

A partir de hoje, o diesel sofre um reajuste de 8,8%. O anuncio foi feito pela Petrobras e o litro do combustível, antes vendido a R$ 4,51, passará a custar R$ 4,91, representando um aumento de 40 centavos para as distribuidoras.

Com a notícia, os caminhoneiros que transitam por estradas próximas a Araxá afirmaram que terão de diminuir a jornada de trabalho, ou até mesmo parar a frota. Em entrevista ao Portal Imbiara na manhã desta terça-feira (10), o caminhoneiro  Robenízio Cardoso, que há 10 anos atua na profissão, afirmou que  o frete não acompanha a alta do combustível inviabilizando a atividade.

“O óleo diesel tá caro demais. Tem que parar, não dá pra continuar não. Se o preço baixar e melhorar eu posso voltar, mas até lá eu vou parar alguns dias, não dá pra rodar não. Tem que parar pra ver se melhora o frete pra nós. Nem todo mundo acompanha o valor do frete e quem fica com o dinheiro são as transportadoras”, disse o caminhoneiro.

Segundo a estatal, o preço do diesel não era corrigido há 60 dias. No anúncio, a Petrobras informou ainda que a nova alta do diesel decorre de uma redução global de oferta em relação à demanda e de estoques abaixo das mínimas sazonais dos últimos cinco anos nas principais regiões fornecedoras. Esse desequilíbrio, de acordo com a nota, resultou na elevação dos preços do diesel no mundo inteiro, "com a valorização desse combustível muito acima da valorização do petróleo". "A diferença entre o preço do diesel e o preço do petróleo nunca esteve tão alta", informou a estatal.


Indignados, caminhoneiros afirmam que apenas as transportadoras estão asseguradas com o novo reajuste

Os caminhoneiros afirmam que não estão conseguindo manter as atividades com o preço do diesel. André Luiz de Souza, que há 30 anos trabalha nas estradas, relata que o momento afeta diretamente na tomada de decisão por aceitar ou não novos fretes.

“Estou pensando em vender meu caminhão, parar de vez e procurar outra coisa pra fazer. Está só aumentando as dívidas e não chega uma hora que o dinheiro não dá pra pagar mais”, afirma André Luiz.

Emocionado, o caminhoneiro disse que pela primeira vez terá que abandonar o sonho de continuar o trabalho pelas estradas. “O olho enche de água. Isso é o roubo até de um sonho que a gente teve desde menino, de ter um caminhão, mas não tem como manter mais, não dá mais. O certo era baixar o valor do diesel, somos um fantoche na mão deles. Eles fazem o que querem”, lamenta.
 


Os combustíveis no Brasil têm acumulado alta real acima da inflação

O porta voz da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, disse em vídeo divulgado na internet que o aumento de 40 centavos vai impactar diretamente no bolso do consumidor. "Não podemos ficar quietos. Eu conheço e sei o quanto vai impactar na mesa do trabalhador no final", explicou o representante.

O repasse do aumento no preço do frete das mercadorias deve influenciar diretamente nos valores cobrados pelos produtos transportados, já que o repasse é feito em cascata.

Com o reajuste no diesel, aumenta a expectativa em relação à gasolina. Na semana passada, o preço subiu pela quarta semana seguida e chegou a custar, em alguns postos, R$ 7,89 em Araxá.