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Postado em: 08/07/2026 - 11:44 Última atualização: 08/07/2026
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Vai passar

por Luis Borges

Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda fez, com Francis Hime, a música Vai Passar, que alcançou grande sucesso naquela época. A população brasileira era de 130 milhões de pessoas, o PIB tinha crescido 5,4% e a inflação anual foi de 215,26%. No campo político, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira propôs eleições Diretas no país e gerou grande mobilização popular, notadamente do movimento “Diretas Já”, mas foi rejeitada pelo Congresso Nacional.

No ano seguinte, a ditadura militar chegaria ao fim.

A seguir, parte da letra.

Vai passar

Vai passar

Nessa avenida um samba popular

Cada paralelepípedo da velha cidade

Essa noite vai se arrepiar

 

Ao lembrar

Que aqui passaram sambas imortais

Que aqui sangraram pelos nossos pés

Que aqui sambaram nossos ancestrais

 

Num tempo

Página infeliz da nossa história

Passagem desbotada na memória

Das nossas novas gerações

 

Dormia

A nossa pátria-mãe tão distraída

Sem perceber que era subtraída

Em tenebrosas transações

Hoje, passados 42 anos, temos população brasileira em torno de 213 milhoes de pessoas, estimativa de inflação de 5,3% ao final de 2026, crescimento anual do PIB em 1,99%, enquanto estamos a menos de 90 dias do primeiro turno das eleições para Presidente da República, Governadores dos estados, Senadores e Deputados.

O que esperar em relação às grandes e necessárias mudanças no país em prol da população que não faz parte do um por cento mais rico? Será que vamos sair desse longo ciclo de imensa concentração de renda nas mãos de pouquíssimos ou vamos nos conformar repetindo o mantra de que, para ficar rico, só roubando ou jogando?

Como se vê, passado quase meio século persistem cada vez mais sofisticadas as “tenebrosas transações” envolvendo o dinheiro público e os mais diversos segmentos da sociedade em suas organizações.

Qual é a ética nessa sociedade que se diz republicana, no Estado democrático de direito?

Quando vai passar a “Vorcarização” da política e da economia brasileiras exposta pelo escândalo do Banco Master, até agora sem uma CPI no Congresso Nacional? Não nos esqueçamos dos descontos não autorizados nos proventos mensais dos aposentados e pensionistas do INSS e muito menos dos penduricalhos na remuneração dos servidores do alto escalão do Poder Judiciário e do Ministério Público, nem das pessoas que moram nas ruas e dos que literalmente passam fome…

Aqui podemos nos lembrar das rachadinhas, das mordeduras em contratos de prestações de serviços e fornecimento de bens entre o setor público e o privado, a verificação da conformidade entre o especificado e o realizado com absoluta transparência e assim por diante. Quando será que tudo vai passar diante da metástase da corrupção?

Depende também de nós e da nossa ação! Quem se cala, consente!

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