Por Sérgio Marchetti, convidado do blog Observação e Análise de Luis Borges
Leitores observadores, vocês se sentem incomodados com o alarmante aumento de moradores de rua? Perdão! Pessoas em situação de rua?
Não há como estacionar um carro na rua, no supermercado, na farmácia, na sorveteria, no restaurante… Pedintes, cobradores do quarteirão, drogados violentos nos abordam.
Sei que já falei sobre isso, mas não me conformo com o avanço do mal. Não é pessimismo. É realidade. Falta respeito ao cidadão e sobra desamor. Se estivéssemos escrevendo literatura de romances, o estilo não seria o realismo, tampouco o romantismo — seria o naturalismo, bem piorado e mais pobre.
Diálogo, formal ou informalmente, com muitas pessoas, e quase todas estão mais tristes e desesperançosas. As queixas, em momentos de mentoria, soam como desabafos e, gradativamente, vêm piorando.
Eu as entendo. Aqueles que deveriam dar exemplo se embrenharam por uma vereda lamacenta e, lamentavelmente, por vergonha ou culpa, algumas pessoas tentam justificar ou fingir indiferença ao que veem. A peneira entrou em desuso. Nem se preocupam em tapar o sol.
Como cantou o poeta, compositor e cantor Vander Lee, na canção “Onde Deus possa me ouvir”:
“(…)Mas, a vida anda louca / As pessoas andam tristes/ Meus amigos são amigos de ninguém (…)”, resume tudo isso. Felizmente, ainda tenho amigos. Porém, a violência exacerbada, a intolerância e, principalmente, a impunidade desequilibram quaisquer sociedades. Para aonde vamos? Eu sugiro que examinemos o cenário doloroso e imaginemos as tendências.
O que é inacreditável acontece: há uma Proposta de Redução da Pena Mínima, de combate a facções criminosas, para réus primários ou que não sejam líderes de facção. Entretanto, o impacto das drogas e do tráfico são os fatores principais e, percentualmente, mais altos na violência. Isso, sem contar que eles tem direito a passar o Natal, dia das mães, dia dos pais com familiares (são muito amorosos). Vários deles não voltam e continuam cometendo crimes. Mas, deixando a implicância de lado: é o trabalho deles — são vítimas da sociedade.
Outro problema estarrecedor, de acordo com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é que em 2025, registrou-se o desaparecimento de quase 24 mil crianças e adolescentes (média de 66 por dia). Isso é absurdamente grave. Mas parece não tocar as autoridades. Pois, só em 2026, o número é de 23 mil desaparecidos.
E o feminicídio? O Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas por questões de gênero; o que representa uma média de quatro mulheres mortas por dia. Os primeiros três meses de 2026 registraram o período mais violento, desde 2015, com 399 mulheres mortas, o que representa um aumento de 7,5%, em relação ao mesmo período de 2025.
Em vez de diminuir penas para bandidos, as autoridades deveriam acabar com a impunidade vergonhosa que reina em nosso País.
* Sérgio Marchetti é consultor organizacional, palestrante e Educador. International Certification ISOR em Holomentoring, Coaching & Advice (coaching pessoal, carreira, oratória e mentoria). Atuou como Professor de pós-graduação e MBA em instituições como Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, Rehagro e Fatec Comércio, entre outras. É pós-graduado em Administração de Recursos Humanos e em Educação Tecnológica. Trinta anos de experiência em trabalhos realizados no Brasil e no exterior. www.sergiomarchetti.com.br