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Postado em: 17/03/2023 - 17:58 Última atualização: 19/03/2023 - 13:34
Por: Caio César - Portal Imbiara

Hotel Vovó Cecília de Araxá volta a ser interditado com nova determinação da Justiça

Remoção dos idosos do espaço situado no bairro Pão de Açúcar já começou nesta sexta e atinge 27 pessoas

Remoção dos residentes é cumprimento de segunda ação judicial nesta semana. Foto: Caio César/Portal Imbiara

O hotel Vovó Cecília terá mesmo que transferir os residentes para outro espaço com a mesma oferta de serviço prestado para os idosos em Araxá. Na última quinta-feira (16), uma nova determinação da Justiça atendeu pedido do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), por meio da Procuradoria de Justiça de Defesa dos Idosos de Araxá. Essa informação foi repassada pela Assessoria de Comunicação da responsável pela pasta gerida por Mara Lúcia Silva Dourado à reportagem do Grupo Imbiara. Ao todo, 27 pessoas serão removidas do espaço situado no bairro Pão de Açúcar sendo que o procedimento começou a ser feito nesta sexta-feira (17).

O Ministério Público também informou que a Prefeitura, através das Secretarias de Saúde e Ação Social, juntamente com o Conselho do Idoso, já se organizaram e vão cuidar da remoção e das orientações às famílias. A reportagem esteve no hotel Vovó Cecília na tarde desta sexta-feira (17) e viu o carro da Secretaria de Ação Social estacionado em frente à casa de acolhimento. Nenhum funcionário quis conceder entrevista.


Advogado Johnny Theodoro. Foto: Caio César/Portal Imbiara

Quem falou em nome do espaço foi o advogado Johnny Theodoro que explicou como será a transferência dos idosos. “Da nossa parte cabe cumprir integralmente aquilo que foi determinado judicialmente. O que nos compete é que essa transferência seja feita da forma mais humana e pacífica possível. É isso que estamos fazendo. Cumprindo a determinação integralmente”, diz o advogado.

Johnny reitera a importância dessa transferência ser feita com a cautela necessária que a situação pede para o momento. “Ela vai ser feita de forma paulatina com muita calma, muito cuidado e planejamento tendo em vista que é inconteste e inequívoco o abalo emocional que esses residentes vão ter, haja vista o tempo que muitos têm ali no espaço, o costume. É impossível de deixar de mencionar que todos eles terão um certo abalo principalmente no contexto emocional”, acrescenta.


Sede da Prefeitura de Araxá. Foto: Arquivo/Portal Imbiara

Versão da Prefeitura sobre a remoção dos idosos

A reportagem também entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura que confirmou a informação repassada pelo Ministério Público de estar acompanhando todo o processo de transferência dos idosos e afirmou ter dado o suporte necessário aos familiares.

“Os internos da instituição Vovó Cecília poderão retornar ao convívio de suas famílias, sempre respeitando o desejo das mesmas, bem como poderão ser direcionados para Residência Inclusiva, Instituição de Longa Permanência, Atenção Hospitalar de Cuidados Prolongados e/ou internação hospitalar, a depender de avaliações individuais”, relata a nota que não cita em quanto tempo a transferência de todos os idosos será feita.

O Grupo Imbiara teve acesso a uma pessoa que têm residente no hotel e mostrou à reportagem uma mensagem do espaço encaminhada via WhastApp falando sobre a transferência de todos os idosos para o hospital Casa do Caminho também interditado pela Justiça. 

Segunda determinação da Justiça na semana

Essa ação judicial é a segunda determinação que ocorre nesta semana. A primeira foi informada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) no último dia 13 de março, porém o hotel Vovó Cecília conseguiu uma liminar para manter o espaço em funcionamento.  “Na medida que há essa nova determinação judicial sendo cumprida, é triste dizer, mas o recurso do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) acaba que perde o objeto. De certa forma, acredito que na análise da própria desembargadora deve ponderar nesse sentido. Toda via vamos aguardar essa decisão. Não temos ciência, mas com relação a determinação judicial de Araxá a gente tem que cumprir integralmente”.

O advogado acredita que não cabe mais impetrar um outro recurso no TJMG contra essa segunda determinação. “Na verdade eu não vejo viabilidade de um novo recurso até porque estamos tratando de uma decisão liminar. Até seria possível, mas no caminho ou na estratégia no nosso trabalho que a gente vem desenhando agora é trabalhar dentro do processo que segue o seu curso regular e tentar demonstrar que a instituição tem sim condições de regularizar as supostas irregularidades apontadas e, para além disso, retornar a sua atividade normalmente. Esse é o intuito, mas acredito que até esse momento é cedo falar isso”, conclui.


Sede do Ministério Público em Araxá. Foto: Alex Sander Xexéu/Portal Imbiara