Falta de limites, birras e dependência digital estão entre as queixas mais comuns levadas ao consultório de Ana Luíza Albuquerque
Na edição desta segunda-feira (9) do programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, a psicóloga Ana Luísa Albuquerque participou de uma entrevista para tratar de um tema atual e cada vez mais presente na vida das famílias: a exposição às telas entre crianças e adolescentes.
Ana, que atende na clínica Max Human e atua principalmente com o público infantil e adolescente, destacou que tem recebido constantemente queixas sobre o uso excessivo de telas. "Os pais chegam e dizem: 'Não sei o que fazer. Quando tiro a tela, vem a birra. Não consigo conciliar a rotina com isso'", relatou.
Segundo a psicóloga, muitos pais acabam utilizando celulares e tablets como uma espécie de "babá digital", o que pode trazer sérias consequências para o desenvolvimento das crianças. “A Organização Mundial da Saúde recomenda que, de zero a dois anos, não haja nenhum tipo de exposição às telas, nem mesmo por poucos minutos”, ressaltou.
Psicóloga incentiva inserir a criança na rotina da casa
Durante a entrevista, Ana Luísa compartilhou um exemplo pessoal que pode ser aplicado em qualquer família. “Minha filha me ajuda a descascar alho enquanto eu preparo o almoço. Essa interação simples já é uma forma de manter a criança longe da tela e envolvê-la no cotidiano.”
A psicóloga apontou que a exposição excessiva está associada ao aumento de quadros de ansiedade, irritabilidade e até dependência em crianças e adolescentes. A falta de interação social e dificuldades na comunicação também são reflexos comuns entre os jovens mais conectados. “O adolescente dependente de celular tende a se isolar, tem dificuldade de manter um diálogo e acaba se tornando menos participativo nas atividades familiares ou escolares”, explicou.
Para a psicóloga, os pais devem dar exemplo aos filhos
Um ponto central da entrevista foi a responsabilidade dos pais no comportamento dos filhos. Ana foi direta: “A maior dificuldade da clínica infantil hoje são os pais. A criança segue o exemplo. Se o pai está o tempo todo na tela, não tem como exigir algo diferente do filho.”
Ela reforça que, antes de exigir mudanças nas crianças, é necessário que os pais revejam os próprios hábitos. “O pai é espelho. Não adianta conversar com o filho com o celular na mão. É preciso se olhar e admitir: estou errando também.”
Entre as estratégias para lidar com a dependência das telas, Ana defende a criação de rotinas estruturadas, a inclusão das crianças em atividades domésticas e o incentivo a esportes, brinquedos manuais e momentos de interação familiar.
Primeira visita ao psicólogo e conscientização crescente
Ana contou que atende crianças a partir dos quatro anos, mas já existem trabalhos que podem começar aos dois, especialmente em casos de atrasos no desenvolvimento. Ela celebrou o aumento da consciência sobre saúde mental entre pais e mães. “Hoje, muitos já chegam atentos às emoções dos filhos, algo que antes era muito raro.”
A entrevista foi encerrada com o incentivo ao diálogo constante em casa e à busca por ajuda profissional sempre que necessário. “É preciso escutar as crianças e adolescentes, entender o que estão sentindo e, acima de tudo, estar presente com atenção e afeto”, finalizou Ana Luísa Albuquerque.