Evento marca retomada das Conferências de Mulheres após dez anos e reúne representantes de municípios do Triângulo Mineiro
Araxá recebeu nesta quinta-feira (26) a primeira etapa da Conferência Regional dos Direitos da Mulher em Minas Gerais. O encontro, que marca o início das discussões em 16 territórios do estado, tem como objetivo escutar mulheres de diferentes regiões, reunir propostas e encaminhá-las para as próximas etapas: estadual, em Belo Horizonte, e, posteriormente, a nacional, em Brasília.
A presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Bárbara Ravenna, explicou que o estado foi dividido em 16 territórios justamente para que seja possível construir políticas públicas mais representativas. “Minas é muito grande. Ao dividirmos em regionais, conseguimos escutar diferentes vozes e realidades. Araxá foi escolhida para abrir esse processo. Começamos pelo Triângulo para, a partir daqui, desbravar todo o estado”, disse Bárbara.

O conselho na cidade é composto por dez mulheres – cinco da sociedade civil e cinco do governo. Foto: Caio César
Ravenna destacou que o Brasil está há dez anos sem realizar uma Conferência Nacional de Mulheres. “Neste tempo, cada município fez o que pôde de maneira muito modesta. Agora, queremos reunir forças para garantir que os direitos conquistados sejam mantidos e que avancemos ainda mais”, pontuou. Bárbara ressaltou a importância de os municípios criarem estruturas específicas para atender as demandas das mulheres, como conselhos, coordenadorias e secretarias voltadas para o tema.
Em Araxá, por exemplo, já existe o OPM – Organismo de Políticas para Mulheres –, e a presidente estadual afirmou ter cobrado o vice-prefeito sobre a criação de uma secretaria específica para fortalecer essas ações. “Com o status de secretaria, conseguimos avançar mais”, observou. Ela também lembrou que, apesar de o Brasil possuir uma das melhores legislações de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha, a violência ainda faz parte da realidade cotidiana de muitas brasileiras. “É preciso que os conselhos, os movimentos sociais e o poder público orientem as mulheres sobre os seus direitos. Só assim elas saberão a quem recorrer quando forem vítimas.”

Bárbara Ravenna, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, e Leany Tupinambá, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Fotos: Caio César
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Araxá, Leany Tupinambá, também participou da conferência e celebrou a importância do evento para toda a região. “Não é um debate só para Araxá. Estamos reunindo propostas de vários municípios para levar à etapa estadual, com o objetivo de transformar isso em políticas públicas efetivas”, afirmou.
Leany destacou ainda o papel do conselho na cidade, composto por dez mulheres – cinco da sociedade civil e cinco do governo. “Nos reunimos mensalmente para propor ações que garantam os direitos das mulheres. Temos parcerias importantes como a PPVD, que é a Patrulha Policial contra a Violência Doméstica, além do apoio dos três poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo.”
Segundo ela, encontros como esse fortalecem a luta por justiça, dignidade e segurança para as mulheres. “Estamos aqui pelas que têm seus direitos violados e, muitas vezes, nem sabem. É por elas que estamos levantando propostas e construindo caminhos.”