BEM BRASIL
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Postado em: 02/07/2025 - 10:48 Última atualização: 02/07/2025 - 11:38
Por: Manoelita Chagas/Caio César - Portal Imbiara

“Quem ganha é o usuário do SUS”, diz diretor da Santa Casa sobre fusão com Hospital Casa do Caminho em Araxá

Hospitais se unem para formar um complexo hospitalar que amplia leitos, evita sobrecarga e otimiza atendimentos para mais de 200 mil pessoas da microrregião

A nova gestão unificada também implicou ajustes na equipe de funcionários. Foto: Caio César

A Santa Casa de Misericórdia de Araxá falou pela primeira vez sobre a fusão com o Hospital Casa do Caminho, em uma decisão que marca o início de um novo momento para a saúde pública da microrregião. Agora, os dois hospitais formam um único complexo hospitalar, com estrutura unificada, gestão centralizada e funções complementares. Segundo o diretor-superintendente da Santa Casa, Ivan José da Silva, a maior beneficiada com a fusão é a população. “A Santa Casa não ganha, quem ganha é o usuário do SUS da microrregião de Araxá”, afirmou.

A união surge como alternativa estratégica para evitar a sobrecarga do sistema de saúde. Ivan explica que, caso o Hospital Casa do Caminho encerrasse suas atividades, a Santa Casa não teria capacidade para absorver sozinha toda a demanda. “Foi isso que nos alertou e motivou a propor essa fusão, junto à diretoria anterior da Casa do Caminho. Era preciso garantir que a população não ficasse desassistida”, pontuou.

Com a fusão, os dois hospitais passam a atuar de forma integrada e complementar. A proposta é dividir responsabilidades conforme a vocação de cada unidade, evitando sobreposição de serviços do SUS, o que também reduz os custos e melhora a eficiência. Por exemplo, cirurgias de determinado porte serão realizadas apenas na Casa do Caminho, enquanto a Santa Casa se dedicará a outras especialidades. “É baratear custo e otimizar serviço”, resume o diretor.

A nova gestão unificada também implicou ajustes na equipe de funcionários. Cerca de 170 trabalhadores da Casa do Caminho foram absorvidos pela Santa Casa, enquanto outros 45 a 50 foram desligados. As demissões, segundo Ivan, ocorreram por causa da centralização de setores administrativos, como estoque de farmácia, financeiro, contabilidade e recursos humanos.

A estrutura física do Hospital Casa do Caminho será mantida, inclusive a fachada. No entanto, melhorias operacionais estão previstas. Um dos principais planos é ampliar o número de leitos de UTI, aproveitando o espaço já existente para implantar até 20 novas unidades. Também está em estudo a instalação de um tomógrafo no local, evitando o deslocamento de pacientes internados até a Santa Casa apenas para exames.

No curto prazo, a gestão trabalha para colocar em funcionamento até 110 leitos SUS dentro da estrutura da Casa do Caminho. As camas já foram adquiridas, e agora o desafio é contratar a equipe de enfermagem e os profissionais da saúde necessários para ativar esses leitos.

A integração entre as unidades permitirá também a chamada regulação inter-hospitalar, facilitando a transferência de pacientes conforme o perfil clínico. Casos que exijam reabilitação, por exemplo, poderão ser tratados na Casa do Caminho, que já conta com uma unidade de cuidados prolongados. Já pacientes que necessitem de exames de alta complexidade ou de estrutura tecnológica mais avançada continuarão sendo encaminhados para a sede da Santa Casa. “A ideia é entregar o paciente à sociedade com o menor número de sequelas possível”, destaca Ivan.

Apesar da integração, o nome “Hospital Casa do Caminho” será preservado. “Essa instituição tem história, e tirar o nome seria uma agressão à memória de Araxá. É uma decisão tomada com respeito à trajetória construída, especialmente junto ao senhor Tadeu e toda equipe que dedicou a vida àquele hospital”, afirmou Ivan.