BEM BRASIL
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Postado em: 11/07/2025 - 09:18 Última atualização: 11/07/2025
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Natural de Ibiá, Ana Maria Gonçalves é a primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras

Autora de “Um Defeito de Cor” vai ocupar a Cadeira nº 33 e é também a integrante mais jovem da atual composição da ABL

Ana Maria Gonçalves é natural de Ibiá. Foto: Agência Brasil

A escritora Ana Maria Gonçalves, natural da cidade de Ibiá, em Minas Gerais, entrou para a história ao ser eleita nesta quinta-feira (10) como a mais nova integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL). Aos 55 anos, ela assume a Cadeira nº 33, tornando-se a primeira mulher negra a integrar a instituição em 128 anos de existência. Ana Maria também passa a ser a mais jovem entre os atuais imortais da Academia.

A eleição teve início às 16h, com a utilização de urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Ana Maria obteve 30 dos 31 votos possíveis; o outro foi para a escritora indígena Eliane Potiguara.

Reconhecida por sua atuação como romancista, roteirista e dramaturga, Ana Maria Gonçalves é autora do aclamado “Um Defeito de Cor”, obra publicada em 2006 e considerada um marco da literatura brasileira contemporânea. O livro venceu o Prêmio Casa de las Américas (2007) e foi eleito, por um júri da Folha de S.Paulo, o melhor livro da literatura brasileira do século 21. Em 2024, o enredo da escola de samba Portela homenageou a obra no carnaval do Rio de Janeiro.

O romance conta a história de Kehinde, uma mulher africana que atravessa o século XIX em busca do filho perdido, e mergulha em temas como escravidão, racismo, ancestralidade e resistência.

A ABL ressaltou a relevância da autora não apenas no campo literário, mas também em sua atuação como professora de escrita criativa, curadora cultural e difusora de debates sobre questões raciais, no Brasil e no exterior. Ana Maria já foi escritora residente em universidades norte-americanas, como Tulane, Stanford e Middlebury.

A Cadeira nº 33 tornou-se vaga após a morte do professor e filólogo Evanildo Bechara, ocorrida em 22 de maio de 2025, aos 97 anos.

Além de Ana Maria Gonçalves, outros candidatos concorreram à vaga, como Eliane Potiguara, Ruy da Penha Lobo, José Antônio Spencer Hartmann Júnior, Célia Prado, João Calazans Filho, entre outros.