O acúmulo registrado acima de 10% na energia elétrica é considerado a maior alta desde 2018
A inflação oficial do país ficou em 0,26% em julho, levemente acima de junho, mas abaixo do esperado pelo mercado. No acumulado de 12 meses, a taxa atingiu 5,23%, superando a meta de 4,5%. O maior peso no bolso do consumidor veio da conta de luz, que acumula alta de 10,18% entre janeiro e julho, a maior variação desde 2018.
Todas essas informações foram repercutidas pelo economista Silvio Gonçalves, que, ao lado de Carlos Nunes, apresenta todas às quintas-feiras o programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM.
“Os combustíveis tiveram queda de 0,64%. Já o grupo Alimentação e Bebidas, que vinha pressionando bastante a inflação, caiu em média 0,27% pelo segundo mês consecutivo, com destaque para a redução no preço da batata, da cebola e do arroz”, comentou.
Segundo ele, o maior peso no orçamento das famílias veio justamente da conta de luz. “A bandeira tarifária vermelha patamar 2, em vigor em agosto, representa um acréscimo de R$ 7,87 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Esse é o nível mais alto de tarifação aplicado pela Aneel”, explicou.
Critério das bandeiras tarifárias
Um dos convidados do programa, o gerente administrativo José Maria Mina, representante da empresa Método, explicou como funciona o sistema de bandeiras. “Esse critério é estabelecido pela Aneel em função das condições de geração de energia. Quando há chuvas e os reservatórios estão cheios, aplica-se a bandeira verde, sem acréscimo. Quando a situação é menos favorável, entra a amarela. Já na vermelha, como agora, o custo aumenta bastante porque o país precisa acionar as usinas termelétricas, que geram energia mais cara.”
Ele acrescentou que o sistema também tem caráter educativo. “Ajuda o consumidor a entender melhor os custos e a planejar o consumo, promovendo um uso mais consciente da energia, mesmo que doa no bolso.”
Horário de verão e consumo
Ao lado de Zé Maria, o engenheiro eletricista e gerente administrativo da Método, Raul Mascarenhas Clementino Neto, abordou outro tema polêmico: a não retomada do horário de verão. “O horário de verão deslocava o uso do chuveiro elétrico, que é o equipamento de maior potência nas casas, do horário de pico da iluminação pública. Isso aliviava o sistema, ainda que a economia para o consumidor fosse pequena. O vilão, na verdade, é a geladeira, que fica ligada até 18 horas por dia”, explicou.
Para ele, a medida ajudava a evitar o acionamento de termelétricas. “Quando os reservatórios estão baixos, o governo precisa despachar as térmicas, movidas a óleo diesel, o que encarece a energia. A bandeira vermelha serve justamente para pagar esse custo adicional.”