Especialista detalha impacto sobre exportações, empregos e investimentos do setor industrial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, na última quarta-feira (20), uma sondagem industrial apontando que as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros podem provocar queda nas exportações, nos investimentos e nos empregos do setor. Segundo o levantamento, trata-se da primeira expectativa de retração nas exportações do país em 21 meses. Durante o programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, o especialista Silvio Gonçalves explicou como as tarifas dos Estados Unidos pressionam toda a economia brasileira.
A pesquisa da CNI, realizada entre 1º e 12 de agosto, ouviu 1.500 empresas — 601 de pequeno porte, 518 de médio porte e 381 de grande porte —, garantindo uma amostragem representativa. O índice da sondagem recuou 5,1 pontos em relação a julho, situando-se em 46,6 pontos. Conforme explica Silvio Gonçalves, especialista em economia, "quando o índice está abaixo de 50, significa que os empresários esperam queda na quantidade exportada, vão empregar menos e, consequentemente, investir menos”.
Silvio detalha os efeitos do tarifário norte-americano. “Se o setor produtor de frutas, por exemplo, não está vendendo como deveria, acaba tendo que demitir. Isso afeta o comércio local, afeta o prestador de serviço. E aí o empresário de outro segmento, mesmo não sendo exportador direto, fica retraído. Vai segurando investimentos, e esse efeito em cadeia, infelizmente, vai retraindo a economia.”
Entre os produtos brasileiros mais afetados estão café, carne, peixe e frutas, que ficaram mais caros para os consumidores nos Estados Unidos. Silvio contextualiza. “Um quilo de carne de primeira nos EUA hoje está 140 reais. O americano ganha mais, mas também tem orçamento, e esse aumento pesa.”
Ele também observa a movimentação de empresas brasileiras para países vizinhos. “Algumas empresas estão indo para o Paraguai, onde o imposto é só 10%. Isso prejudica o Brasil a médio e longo prazo, porque nosso custo é altíssimo e perdemos competitividade frente a países como Paraguai e Chile.”
Apesar do cenário desafiador, há sinais de novos mercados para produtos brasileiros. Silvio lembra que a China já aumentou as compras de sódio e café, absorvendo parte da produção nacional. Ele ainda ressalta a interligação global das empresas: “A Apple, por exemplo, não produz só nos EUA; produz na Índia, na China… É um tabuleiro complexo, e o Brasil está inserido nele.”
A CNI reforça que a situação é complexa e envolve fatores econômicos e políticos globais, incluindo a política tarifária dos Estados Unidos e o cenário eleitoral brasileiro. Enquanto isso, empresários e consumidores acompanham de perto os desdobramentos, que podem impactar diretamente a indústria e o mercado interno.