Dr. João Sacramento alerta para a importância da identificação precoce e dos estímulos adequados no desenvolvimento das crianças
Durante entrevista concedida nesta segunda-feira (15) à Rádio Imbiara 91,5 FM, o especialista em saúde mental, Dr. João Sacramento, destacou a relevância da observação atenta dos pais e familiares quanto ao desenvolvimento neuropsicológico das crianças. Ele explicou que muitos transtornos, quando identificados precocemente, podem ter seus impactos reduzidos por meio de estímulos adequados e acompanhamento especializado.
Segundo o médico, os transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo e o TDAH, podem ser percebidos ainda na primeira infância. “É antes dos três anos que os pais já podem notar algumas diferenças importantes. Enquanto no TDAH a criança costuma demonstrar mais agitação e impulsividade, no autismo é comum o isolamento e a dificuldade no contato social”, pontuou.
Dr. João ressaltou que manter um caderninho de anotações sobre marcos do desenvolvimento — como a idade em que a criança firmou o pescoço, engatinhou ou falou as primeiras palavras — pode ajudar tanto a família quanto os profissionais de saúde. “Aquilo que parecia um simples souvenir pode se transformar em um relatório clínico valioso”, explicou.
Outro ponto abordado foi a dificuldade de aceitação por parte dos pais diante de um possível diagnóstico. “É melhor estimular desde cedo, mesmo que a suspeita não se confirme, do que perder um tempo precioso esperando um diagnóstico definitivo”, afirmou. Ele destacou que atividades cognitivas, motoras e lúdicas sempre trazem benefícios, inclusive para crianças consideradas neurotípicas.
O médico, que atende em Araxá, também alertou sobre o impacto do uso excessivo de telas no desenvolvimento infantil. “Elas não causam autismo ou TDAH, mas podem agravar problemas de atenção e socialização. O ideal é criar um ambiente mais saudável e estimulante em casa.”
Além das dificuldades mais conhecidas, Dr. João lembrou que crianças com altas habilidades também precisam de atenção especial. “A superdotação não elimina a necessidade de estímulos em áreas em que a criança apresenta fragilidade, como a interação social. É importante que os pais entendam que, apesar de diferentes, essas crianças ainda precisam viver plenamente a infância.”
Na área da saúde mental, o médico explicou que transtornos depressivos em familiares podem afetar todo o núcleo. Crianças e adolescentes são sensíveis ao ambiente em que vivem, e situações como separação conflituosa dos pais ou doenças não tratadas podem impactar no rendimento escolar e no desenvolvimento emocional.
Sobre o acesso a medicamentos de alto custo, Sacramento lembrou que, embora algumas opções estejam disponíveis na rede pública, em casos específicos é possível recorrer à Defensoria Pública para solicitar o fornecimento judicial. “Temos medicações fornecidas pela farmácia estadual de Minas Gerais, mas, quando a criança não se adapta às disponíveis, cabe judicializar o pedido.”
Encerrando a entrevista, o médico reforçou a importância da quebra de preconceitos em relação à saúde mental infantil. “O objetivo não é buscar a cura para todos os transtornos, mas garantir que essas crianças cresçam com mais qualidade de vida e se tornem adultos mais saudáveis e conscientes.”