BEM BRASIL
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Postado em: 20/10/2025 - 09:27 Última atualização: 20/10/2025
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Pesquisadores brasileiros desenvolvem teste rápido para detectar bebidas adulteradas

“Nariz eletrônico” identifica presença de metanol com 98% de precisão e pode ajudar a evitar intoxicações

Foto: Divulgação UFPE

Em meio ao aumento dos casos de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um nariz eletrônico capaz de identificar a presença de substâncias perigosas em bebidas alcoólicas com apenas uma gota.

O equipamento reconhece odores estranhos ao produto original em menos de 60 segundos, prometendo uma margem de segurança de 98%. De acordo com o professor Leandro Almeida, do Centro de Informática da UFPE, o aparelho “transforma aromas em dados, que alimentam uma inteligência artificial treinada para reconhecer a assinatura de cada bebida verdadeira e suas variações adulteradas”.

Além de detectar metanol, o nariz eletrônico também identifica outras formas de adulteração, como bebidas diluídas em água. A tecnologia começou a ser desenvolvida há cerca de dez anos, inicialmente para o setor de petróleo e gás, onde era usada para avaliar o odorizante adicionado ao gás de cozinha.

Outras aplicações

Os pesquisadores acreditam que o equipamento pode ter usos diversos, como detectar fraudes em alimentos e até identificar micro-organismos em hospitais pelo odor. A tecnologia pode avaliar, por exemplo, a qualidade de cafés, carnes, peixes e óleos vegetais utilizados na indústria alimentícia.

O grupo também estuda formas de disponibilizar o aparelho em bares, restaurantes e adegas, por meio de tótens acessíveis aos clientes, além de versões portáteis para fabricantes e consumidores. “Já temos o desenho de uma canetinha que permitiria ao cliente testar sua bebida ou alimento”, revela o professor Leandro Almeida.

Por enquanto, o nariz eletrônico foi testado apenas em laboratório e ainda precisa passar por testes em ambientes reais antes de chegar ao mercado. Para isso, os pesquisadores estimam a necessidade de cerca de R$ 10 milhões em investimentos.

O projeto foi apresentado durante o Rec’n’Play 2025, festival de inovação e tecnologia realizado no Porto Digital, em Recife, entre os dias 15 e 18 de outubro.