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Postado em: 20/10/2025 - 14:52 Última atualização: 20/10/2025 - 17:42
Por: Alex Sander Xexéu - Portal Imbiara

Saúde mental feminina ganha destaque no Outubro Rosa em Araxá

Psiquiatra João Sacramento destaca a importância do acompanhamento psicológico e psiquiátrico durante a gestação e o pós-parto

Dr. João Sacramento nos estpudios da Rádio Imbiara. Foto: Caio César

O mês de outubro é marcado pela campanha Outubro Rosa, voltada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. No entanto, o cuidado com a saúde mental da mulher também merece destaque nesse período, conforme destacou o psiquiatra Dr. João Sacramento, em entrevista ao programa Imbiara Notícias, do Grupo Imbiara de Comunicação.

Segundo o médico, a saúde mental feminina é influenciada por diversas fases da vida da mulher, desde o ciclo menstrual até a menopausa.

“Existem condições que são exclusivas do público feminino, como a depressão pós-parto e o transtorno disfórico pré-menstrual, e outras que são mais prevalentes entre as mulheres, como os transtornos alimentares e alguns transtornos de personalidade”, explicou.

O delicado período pós-parto

Durante a gestação — e, principalmente, no pós-parto — a atenção com a saúde mental precisa ser redobrada. Dr. João lembrou que, embora a gravidez costume ser um fator de proteção emocional, o puerpério é um momento de vulnerabilidade.

“É comum que a mulher sinta tristeza nos primeiros dias após o parto, o chamado blues puerperal. Mas, quando esse sentimento se aprofunda e vem acompanhado de ideias de suicídio ou rejeição ao bebê, é preciso buscar ajuda — pode se tratar de uma depressão pós-parto, um quadro grave que coloca em risco a vida da mãe e da criança”, alertou.

O médico reforça a importância do acompanhamento psicológico e psiquiátrico desde o início da gestação, especialmente em mulheres que já tiveram episódios depressivos.

“O melhor tratamento é a prevenção. Muitas vezes é mais seguro manter o uso de medicações durante a gestação, sob orientação médica, do que interromper e colocar em risco a estabilidade emocional da mãe e o bem-estar do bebê”, pontuou.

Expectativas, ansiedade e vínculos

Outro ponto abordado pelo psiquiatra foi a ansiedade que envolve a maternidade. Segundo ele, é natural que algumas mulheres sintam dificuldade em criar vínculo com o bebê ainda durante a gestação.

“O amor materno é um sentimento que se constrói. Muitas mulheres se cobram por não sentirem imediatamente esse afeto, mas é importante entender que ele amadurece com o tempo”, afirmou.

Dr. João também chamou atenção para a ansiedade relacionada à gestação desejada.

“Muitas mulheres vivem um ciclo de frustração quando não conseguem engravidar logo. A ansiedade, nesse caso, pode até interferir na fertilidade. O corpo entende que não está preparado para mais uma responsabilidade”, disse.

Ele citou, inclusive, uma frase recorrente entre ginecologistas:

“A ansiedade é o maior contraceptivo que existe.”

A dor dos homens diante da perdaEmbora o foco seja a saúde da mulher, o médico destacou que os homens também sofrem emocionalmente em situações delicadas, como a perda da companheira durante o parto.

“O pai que vive o luto e precisa assumir sozinho a paternidade enfrenta sentimentos contraditórios — a dor da perda e a responsabilidade de cuidar. Quando o luto não é vivido de forma saudável, ele pode se manifestar mais tarde como depressão”, explicou.

A importância da escuta e do diálogo

Ao final da entrevista, o psiquiatra ressaltou que o diálogo e a escuta qualificada são fundamentais para o cuidado com a saúde mental.

“Nem sempre o uso de medicação é a única resposta. É preciso entender o que está por trás do sofrimento — se é medo da mudança, esgotamento ou dificuldade em lidar com perdas. A psicoterapia ajuda a identificar essas causas e a reconstruir o equilíbrio emocional”, concluiu.

Serviço:
📍 Clínica Anjos que Cuidam
👨‍⚕️ Dr. João Sacramento – Psiquiatra
📞 (34) 3664-8081 | 📱 Instagram: @drjoaosacramento