Em entrevista ao programa Conexão Imbiara, músico e empresário detalhou o funcionamento da escola Nota Certa, o mercado de eventos e projetos culturais
No programa Conexão Imbiara da última quinta-feira (23), o músico e empresário araxaense Thiago Augusto Ribeiro Martins, de 43 anos, falou sobre sua experiência à frente da escola de música Nota Certa Araxá, que atua há 20 anos na cidade, e sobre a atuação em eventos e projetos culturais. Formado em música pela EMT Campinas (SP), Thiago compartilhou os desafios de conciliar a paixão pela música com a gestão de um negócio, abordando desde a formação de músicos até a organização de eventos corporativos.
Educação musical e formação de músicos
Thiago destacou que qualquer pessoa pode aprender música, independentemente de suposto “dom” natural. Segundo ele, a determinação e o objetivo de cada aluno são mais importantes do que talentos inatos. “Eu já tive muitos exemplos de alunos que chegaram desacreditados e se tornaram grandes músicos”, afirmou, citando casos de pessoas que retomaram o aprendizado da música em idades avançadas, incluindo uma senhora de 89 anos que aprendeu duas músicas para tocar no aniversário de 90.
Sobre a estrutura da Nota Certa, Thiago explicou que a escola conta atualmente com três funcionários CLT — incluindo a secretária e a equipe de limpeza — e oito ou nove professores, todos prestadores de serviço ou MEI, que dividem o tempo entre a escola e outros trabalhos musicais. “Tem professor que vai uma vez por semana, outros duas vezes. Fazemos um rodízio, garantindo atendimento de qualidade”, detalhou.
O empresário também ressaltou a importância de organizar a rotina e planejar o trabalho. “O tocar é a diversão. O trabalho é antes, com planejamento, ensaio e produção. É como jogador de futebol: o treino vem antes da diversão em campo.”
Eventos corporativos e atuação da Nota Certa
Além da escola, Thiago atua na área de sonorização e eventos, atendendo empresas e outros tipos de público. Ele explicou que a nota certa abriu categorias específicas dentro do negócio para oferecer estrutura, iluminação e sonorização, muitas vezes integrando serviços que facilitem a vida do produtor. “Se você tem uma empresa que oferece quatro serviços de cinco necessários, facilita a vida do cliente. Isso tem nos dado muito mercado”, afirmou.
Apesar de atuar em eventos variados, Thiago reforçou a importância de foco e organização. “Sem equipe, você não consegue fazer tudo. Temos pessoas de confiança que coordenam eventos sem a minha presença. O objetivo é atender com qualidade, mesmo fazendo menos coisas, mas bem feitas.”
Projetos culturais e leis de incentivo
Thiago comentou ainda sobre a experiência com projetos culturais financiados pela Lei Rouanet, como o Festival de Música de Araxá, de música instrumental, e o projeto Música Semeando Conhecimento, que levava apresentações e palestras para escolas públicas. Ele destacou a vantagem de contar com orçamento previsível e remunerar adequadamente todos os envolvidos, mas apontou como desafio a dependência de empresas patrocinadoras.
Ele também citou leis emergenciais, como a Lei Aldir Blanc, criada durante a pandemia para apoiar a cultura, e explicou que ainda existem recursos remanescentes sendo utilizados em Araxá, com premiações para artistas e empresas culturais.
Reflexões sobre mercado e educação musical
Para Thiago, a música hoje vai além do entretenimento e também é ferramenta de socialização, terapia e desenvolvimento pessoal. Ele ressaltou a importância de separar fama de sucesso profissional, lembrando que muitos músicos vivem bem no anonimato, atuando de forma sustentável em bares, escolas e eventos, e ainda assim são bem-sucedidos.
“Não precisa ser famoso para viver de música. Muitos músicos, mesmo sem fama, levam alegria às famílias e mantêm uma carreira sólida e profissional”, concluiu.