Voluntários dedicam tempo e recursos próprios para cuidar de cães e gatos abandonados
O programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara 91,5 FM, desta sexta-feira (31), abordou um tema de grande relevância social: a atuação dos protetores independentes de animais em Araxá. Participaram da atração a protetora Márcia Maria e o advogado Rodrigo Curvinel, que também atua na defesa da causa animal. A condução foi dos apresentadores Edvaldo Gomes e Emílio Borges.
Segundo levantamento do Instituto Pet Brasil, existem hoje no país cerca de 370 ONGs voltadas à proteção animal, que juntas cuidam de mais de 172 mil animais. O número, porém, não inclui os protetores independentes — pessoas que, de forma voluntária, dedicam tempo e recursos próprios ao resgate, tratamento e adoção de cães e gatos.
Laços antigos e novo começo com a causa animal
Márcia contou que a relação dela com os animais vem desde a infância. “Fui criada com galinhas, porcos, cachorros, gatos e passarinhos soltos. Esse é o conceito que trago comigo: o bicho precisa ficar bem”, relatou.
Formada em Psicologia, ela iniciou o trabalho voluntário ainda em Uberlândia, onde viveu por 25 anos. Ao retornar a Araxá, decidiu se afastar da causa — até que uma cadelinha prenha apareceu em sua porta. “Adotei e ela está comigo até hoje. Foi quando tudo recomeçou.”
Atualmente, Márcia integra um grupo de protetores independentes que busca se formalizar como associação, a fim de fortalecer a atuação e ampliar o acesso a programas de apoio, como o fornecimento de ração pela Prefeitura. “Temos um cadastro municipal que garante uma quantidade mensal de ração, mas ainda é insuficiente. O restante vem de doações, rifas e campanhas”, explicou.
Rede de solidariedade com mais de 60 voluntários em Araxá
De acordo com o advogado Rodrigo Curvinel, atualmente 64 pessoas estão cadastradas no grupo de protetores que atuam em Araxá, cuidando de aproximadamente 1.500 animais. Ele defende que a criação de uma ONG é essencial para organizar e otimizar os esforços.
“Os protetores atuam muito, gastam muito, mas de forma esparsa. A ONG ajudaria a coordenar as ações, definir padrões e fortalecer pilares como a castração em massa”, afirmou.
Rodrigo lembrou ainda que a responsabilidade legal pelos animais abandonados é do Estado e do município, e que o trabalho dos protetores complementa a atuação pública. “O protetor faz o que o Estado deveria fazer — e o faz com recursos próprios, por amor e senso de responsabilidade social.”
Cães comunitários têm proteção garantida por lei
Um dos temas debatidos foi a situação dos animais comunitários — cães e gatos que vivem nas ruas, mas recebem cuidados de moradores e comerciantes. Rodrigo explicou que tanto a legislação estadual quanto a municipal garantem o direito de esses animais permanecerem em seus locais de origem, desde que recebam alimento e cuidados.
“A regra é que o animal viva na rua. O recolhimento deve ser exceção, apenas para casos de doença ou agressividade”, destacou o advogado.
Márcia complementou que muitos bairros e empresas de Araxá adotam cães comunitários como mascotes. “Tem postos de gasolina e oficinas que têm seus ‘caramelos’. São animais queridos, que acabam sendo cuidados por todos.”
Abandono e maus-tratos ainda desafiam a causa animal
Os convidados também chamaram a atenção para o número crescente de abandonos de animais na cidade. “Muitos tutores abandonam fêmeas prenhas, animais idosos ou doentes. Há também casos de canis clandestinos que descartam as matrizes quando não servem mais para reprodução”, lamentou Rodrigo.
Ele apontou locais conhecidos como pontos de descarte — entre eles, o Jardim Europa, Boa Vista e Boca da Mata — geralmente próximos à zona rural. “Esses pontos concentram o abandono. A sociedade causa o problema, mas não quer ajudar na solução”, alertou.
Márcia reforçou que os protetores enfrentam dificuldades não só financeiras, mas também emocionais e estruturais. “Muitos de nós temos emprego, família e outros compromissos, mas, mesmo assim, cuidamos, abrigamos e alimentamos os animais. Às vezes coloco cães na garagem, na lavanderia ou peço espaço a amigos.”