BEM BRASIL
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Postado em: 31/10/2025 - 16:57 Última atualização: 31/10/2025 - 17:00
Por: Caio César/Emílio Borges/Edvaldo Gomes - Portal Imbiara

Castração e adoção responsável são essenciais para reduzir abandono de animais em Araxá

Fila de espera por castração em Araxá ultrapassa 3,8 mil tutores, aponta o advogado ligado à causa animal, Rodrigo Cruvinel

Protetora de animais, Márcia Maria, e advogado Rodrigo Cruvinel, participaram do programa Vida de PET, da Rádio Imbiara. Fotos: Caio César/Portal Imbiara e Arquivo Portal Imbiara

Durante entrevista concedida à Rádio Imbiara 91,5 FM, a protetora de animais Márcia Maria destacou, nesta sexta-feira (31), o combate aos maus-tratos e a necessidade de políticas públicas contínuas de castração para reduzir o abandono de animais. “Quem ama, não abandona. Quem ama, pede ajuda. Só abandona quem realmente não ama”, afirmou.

Márcia contou que há pessoas que percorrem longas distâncias para garantir o bem-estar dos animais, levando cães e gatos em carrinhos de mão ou motocicletas até os locais de castração. “Eles pedem ajuda, e a gente ajuda. É assim que a corrente do bem se forma.”

O advogado Rodrigo Cruvinel também lembrou que denúncias de maus-tratos podem ser feitas de forma anônima pelo número 181, que direciona os casos à Delegacia Especializada de Crimes Ambientais. “Temos vários órgãos que atuam nesses casos em Araxá, como a Polícia Militar de Meio Ambiente. O combate aos maus-tratos é um dos pilares para zerar os animais de rua”, ressaltou.

Entre as histórias marcantes que viveu na proteção animal, Márcia relatou o caso do Juca, um cachorro resgatado no estacionamento de um supermercado da cidade. “As pessoas disseram que ele estava agressivo, mas ele mal conseguia ficar em pé. Levamos ao canil, ele recebeu atendimento e, depois, minha irmã o adotou. Hoje o Juca vive feliz, saudável e até manda nas oito fêmeas da casa”, contou, sorrindo.


Advogado considera a castração um ponto essencial para reduzir população canina nas ruas, mas ainda é insuficiente

A castração é considerada pelos protetores o principal caminho para reduzir a população de animais de rua e evitar doenças. Atualmente, segundo Márcia, Araxá realiza cerca de 100 castrações por mês, divididas entre famílias de baixa renda, o canil municipal e protetores independentes.

“É um número bom, mas ainda pouco diante da demanda. A fila de espera passa de 3.800 tutores, e cada um pode ter vários animais. É um desafio enorme”, explicou o advogado Rodrigo Cruvinel.

Ele destacou ainda que uma verba de R$ 300 mil, destinada pelo deputado federal Dr. Mário Heringer, deve permitir a realização de um mutirão maior de castrações, além da continuidade do programa em 2026. “O ideal seria termos uma castração permanente, para que o trabalho não se perca. Se você interrompe por um tempo, o número de animais volta a crescer rapidamente.”

Adoção responsável é um compromisso e um ato de amor

Ao falar sobre a adoção, Márcia reforçou que acolher um animal é assumir uma responsabilidade para toda a vida. “Quando você adota, está trazendo um ser que depende de você para tudo — alimentação, cuidados, carinho. É como um membro da família”, disse.

Para ela, o abandono não pode ser uma opção. “Não existe isso de mudar de casa e deixar o cachorro porque o novo lugar é pequeno. Seria o mesmo que dizer que não vai levar o filho. O animal sente, sofre, ama. Por isso chamamos de adoção responsável.”

A protetora destacou também a importância de manter o animal com vacinação, vermifugação e alimentação adequadas, além de um espaço onde possa tomar sol e se exercitar. “Cuidar é mais do que alimentar. É garantir bem-estar e respeito.”