Bióloga e veterinária Talita Nazareth de Roma explica cuidados, legalização e quebra de mitos sobre pets exóticos
O interesse pelos chamados animais não convencionais cresce em todo o Brasil e já faz parte da rotina de muitas famílias que buscam novas experiências com pets. Esse foi o tema do programa Vida de Pet, que recebeu a bióloga e médica veterinária Talita Nazareth de Roma, especialista em espécies exóticas e silvestres. Durante a participação, ela levou dois animais que chamaram a atenção dos ouvintes: um ouriço-africano e uma cobra da espécie Corn Snake, ambos legalizados e conhecidos pelo comportamento dócil.
Cresce o interesse por pets exóticos no Brasil
Talita explicou que o mercado de animais não convencionais vem registrando aumento expressivo, acompanhando a curiosidade de pessoas que buscam pets diferentes e de fácil manejo. Espécies como cobras, ouriços, lagartos e aves específicas já são encontradas em criatórios autorizados pelo Ibama, que fornecem documentação e garantem origem legal.
“Esse mercado só cresce. As pessoas estão descobrindo que muitos desses animais são tranquilos e convivem bem com a família”, destacou.
Cuidados essenciais com cada espécie
Durante o programa, Talita apresentou uma Corn Snake, explicando que se trata de uma cobra não peçonhenta, muito procurada por iniciantes por ser tranquila e de fácil manejo. No entanto, ressaltou que, como qualquer animal, exige cuidados.
“Elas precisam de terrário aquecido, acompanhamento diário e alimentação adequada. São dóceis, mas precisam de responsabilidade”, afirmou.
O ouriço-africano, outro animal levado ao estúdio, chamou atenção pela sensibilidade ao barulho e pela necessidade de rotina tranquila.
“É um pet permitido no Brasil, mas exige cuidado. O ouriço é tímido e se estressa com facilidade, por isso precisa de manejo calmo”, explicou.
Silvestre não é o mesmo que selvagem
Talita esclareceu que muitos equívocos acontecem pela falta de conhecimento. Ela explicou que animal silvestre é aquele pertencente à fauna nativa ou exótica, mas que pode ser criado legalmente em cativeiro. Já o selvagem é aquele que vive livre na natureza, sem manejo humano.
“Parte do medo das pessoas vem da desinformação. Quando entendem o comportamento de cada espécie, esses preconceitos caem”, disse.
Compra responsável e combate ao tráfico
A veterinária reforçou a importância de comprar apenas em criatórios regulamentados pelo Ibama, evitando o tráfico de animais.
“A pessoa deve pedir nota fiscal e confirmar a legalização do criatório. Compra ilegal traz risco para o animal, para o tutor e contribui com o crime ambiental”, alertou.
Ela comentou que aves como papagaios ainda são alvo de apreensões por falta de documentação adequada, reforçando a necessidade de responsabilidade.
Educação ambiental para evitar acidentes
Talita relatou que trabalha com educação ambiental em escolas, instituições e órgãos públicos, ensinando sobre manejo seguro, comportamento e cuidados.
“Quando as pessoas aprendem, o medo diminui e os acidentes deixam de acontecer. Informação protege todo mundo”, afirmou.
Alimentação, comportamento e rotina
Durante o programa, ela respondeu dúvidas dos ouvintes sobre alimentação, terrários, convivência e comportamento. Cada espécie tem necessidade própria:
cobras precisam de temperatura e iluminação controladas;
ouriços necessitam de silêncio e rotina estável;
aves requerem enriquecimento ambiental;
pequenos mamíferos têm dietas específicas.
“Antes de adotar, é preciso avaliar se o tutor tem perfil para aquele animal. Pet não é impulso”, concluiu.