BEM BRASIL
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Postado em: 17/11/2025 - 16:55 Última atualização: 17/11/2025 - 16:56
Por: Manoelita Chagas - Portal Imbiara

Dr. João Sacramento esclarece dúvidas sobre saúde masculina e transtorno bipolar em entrevista realizada em Araxá

Médico com especialização em psiquiatria detalha novos parâmetros de pressão, sinais emocionais e orientações para famílias nesta segunda-feira (17)

O especialista recomenda que os homens façam acompanhamento médico a partir dos 30 anos, incluindo avaliação metabólica e controle da pressão. Foto: Caio César

Em entrevista concedida na Rádio Imbiara nesta segunda-feira (17) em Araxá, o médico Dr. João Sacramento, especialista em psiquiatria, falou sobre saúde do homem, novas diretrizes de pressão arterial, mudanças comportamentais que merecem atenção e os desafios no reconhecimento da hipomania e do transtorno bipolar. Com explicações acessíveis, ele destacou cuidados essenciais que podem evitar complicações físicas e emocionais.

Dr. João lembrou que o cuidado anual é fundamental. “Questões metabólicas são importantes de serem avaliadas anualmente. O 12 por 8 agora não é pressão alta, mas é uma pré-hipertensão, um sinal de alerta”, disse. Segundo ele, a hipertensão pode levar anos para ser diagnosticada, período em que o organismo já sofre danos silenciosos nos rins, olhos e outros órgãos.

O especialista recomenda que os homens façam acompanhamento médico a partir dos 30 anos, incluindo avaliação metabólica e controle da pressão. “A rotina mudou. Hoje em dia, medir pressão em consulta é algo muito mais comum justamente pelo estilo de vida que a gente vem levando”, observou.

Perda de interesse, rotina no automático e sinais de alerta emocional

Dr. João destacou que a saúde mental também precisa de atenção. Ele explicou que a perda de sentido de vida e de objetivos pode ser o início de quadros de humor depressivo. “A gente vai ficando preso à rotina, aos compromissos, e perde o sonho de vida. Quando isso acontece, algo já não está correndo bem”, afirmou.

Os primeiros sinais incluem desânimo persistente, afastamento de pessoas e sensação de funcionar no automático. Nesses casos, a psicoterapia é recomendada. “Os homens ainda são resistentes, mas o estigma tem diminuído”, ressaltou.

Quando sintomas como insônia, perda de peso, choro recorrente, comportamentos violentos ou ideias de morte surgem, o médico orienta buscar avaliação especializada. A conversa com o paciente, no entanto, deve ser feita com calma. “Não adianta abordar na hora da raiva. É preciso reservar um momento tranquilo.”

Novos parâmetros da pressão arterial

O especialista explicou com clareza os novos níveis de classificação:

  • Até 11,9 por 7,9 → pressão normal

  • De 12 por 8 até 12,9 por 8,9 → pré-hipertensão

  • Acima de 13 por 9 → hipertensão

Dr. João reforçou que o problema maior não é medir uma pressão alta pontualmente, mas mantê-la elevada por longos períodos. “A pressão alta é o ladrão sorrateiro. Vai lesionando aos poucos. Quando a gente percebe, já tem órgão comprometido.”

Hipomania e transtorno bipolar: identificação e manejo

Outro ponto da entrevista foi a dificuldade em reconhecer hipomania e transtorno bipolar. “O paciente em mania ou hipomania não vai ter crítica. Quem percebe é o familiar”, disse o médico.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • aumento da energia

  • fala excessiva

  • vários projetos iniciados em pouco tempo

  • pouco sono e pouco apetite

  • impulsividade

Como essa fase costuma vir acompanhada de euforia, muitas vezes é confundida com “fase boa”. Porém, em dez dias, o paciente pode ficar frustrado por não conseguir manter o ritmo. Nesses casos, a abordagem deve ser cuidadosa. “Pontuar com calma, sem dizer diretamente que é hipomania.”

Se houver agitação intensa, pode ser necessário atendimento em pronto-socorro antes da consulta. Dr. João reforçou que o transtorno bipolar tem fases diferentes e exige tratamentos específicos para cada uma. “O Rivotril não trata transtorno bipolar. Ele apenas seda na crise.”

Apesar do uso contínuo de medicamentos tradicionais como lítio e risperidona, novas terapias como quetiapina e lurasidona ampliam as possibilidades de manejo.

Apoio familiar e busca por ajuda

Ao final da entrevista, o especialista reforçou a importância da participação da família. Ele lembrou que esperar o paciente perceber sozinho que precisa de ajuda pode atrasar o tratamento. “Se for difícil conversar, escreva uma carta para o médico. Se a gente esperar o paciente agir por si, vamos esperar a vida inteira.”