Especialista destaca prevenção, autoestima e novas possibilidades de tratamento para o público 60+ no programa Vida Ativa
O envelhecimento da população brasileira tem trazido novos desafios — e também oportunidades — para a área da saúde. Em Araxá, o tema foi destaque no programa Vida Ativa 60+, transmitido todas as quartas-feiras, das 11h às 12h, pela Rádio Imbiara. A edição recebeu o sócio-proprietário da clínica Max Human, Alex Faria Duarte, que abordou desde cuidados básicos até avanços tecnológicos na odontologia voltada à terceira idade.
A entrevista evidenciou que a saúde bucal vai muito além da estética, impactando diretamente a alimentação, o convívio social e o bem-estar emocional. Estudos mostram que condições da boca influenciam inclusive o estado psicológico e as relações sociais dos idosos, reforçando a importância desse cuidado ao longo da vida.
Um desafio crescente no Brasil
O tema ganha ainda mais relevância diante dos dados nacionais. O Brasil envelhece rapidamente, e com isso aumentam também as demandas por tratamentos odontológicos. Pesquisas apontam que mais da metade dos idosos brasileiros já perdeu todos os dentes, e praticamente todos os que ainda possuem dentes necessitam de algum tipo de tratamento.
Além disso, estudos indicam que a condição de saúde bucal dos idosos ainda é considerada insatisfatória, com alta incidência de cáries, doenças periodontais e necessidade de próteses.
É nesse cenário que iniciativas locais, como as discutidas no programa, ganham importância ao levar informação e facilitar o acesso ao tratamento.
Prevenção ainda é o melhor caminho
Durante a entrevista, Alex reforçou que muitos problemas poderiam ser evitados com cuidados simples no dia a dia. Segundo ele, hábitos básicos fazem toda a diferença: “A limpeza é tudo. Fio dental depois de todas as refeições, escovação adequada e acompanhamento frequente evitam problemas maiores lá na frente.”
Ele também alertou para o impacto da alimentação, destacando que não há alimentos proibidos, mas sim a necessidade de equilíbrio. “Tudo em excesso é prejudicial. Açúcar, café, refrigerante… o importante é a moderação e a higienização após o consumo”, explicou.
O profissional ainda chamou atenção para riscos pouco percebidos, como alimentos duros ou ácidos. “Dependendo da forma como a pessoa se alimenta, pode até quebrar um dente. Já vimos casos com pipoca, torresmo e até goiaba”, relatou.
O mito da extração como solução
Um dos pontos mais discutidos foi a ideia, ainda comum entre pacientes mais velhos, de que extrair todos os dentes e usar dentadura seria a solução mais simples.
Alex foi direto ao desmistificar essa prática: “O maior erro é querer arrancar todos os dentes sem necessidade. Sempre que possível, o melhor é recuperar o dente natural.”
Ele explicou que a extração pode trazer consequências a longo prazo, como a perda óssea, dificultando futuros tratamentos. “Quando você perde o dente e não reabilita, a gengiva vai murchando e pode não haver estrutura para implante no futuro”, disse.
Tecnologia transforma tratamentos
Apesar dos desafios, a odontologia tem avançado rapidamente, oferecendo novas possibilidades para os pacientes. Procedimentos que antes exigiam meses agora podem ser realizados em menos tempo. “Hoje, em alguns casos, conseguimos fazer extração, implante e já entregar a prótese fixa no mesmo dia. Isso muda completamente a autoestima da pessoa”, destacou.
Entre as soluções, ele citou o protocolo — prótese fixa sobre implantes — que tem substituído a dentadura tradicional. “As pessoas estão deixando a prótese removível para ter mais segurança e conforto no dia a dia”, explicou.
Humanização como diferencial no atendimento
Mais do que tecnologia, o entrevistado enfatizou que o acolhimento é um fator decisivo para o sucesso do tratamento, especialmente entre idosos que carregam traumas antigos de consultórios odontológicos. “Não é só tratar o dente. É olhar no olho, explicar, tirar dúvidas e dar segurança. Isso faz toda a diferença”, afirmou.
Ele contou que muitos pacientes chegam inseguros, mas mudam de percepção ao longo do atendimento. “A gente vê pessoas que tinham medo e hoje indicam a clínica para familiares. A maioria vem por indicação”, completou.
Acesso ampliado e inclusão
Outro avanço destacado foi a ampliação do acesso aos tratamentos, com a inclusão de convênios e facilidades de pagamento. Segundo Alex, isso tem permitido que mais pessoas realizem procedimentos antes considerados inacessíveis. “Hoje conseguimos atender tanto particular quanto convênio com a mesma qualidade. Eu faço questão de manter o padrão para todos”, disse.
Saúde, autoestima e qualidade de vida
Ao longo da entrevista, ficou evidente que a saúde bucal está diretamente ligada à qualidade de vida na terceira idade. Problemas na boca podem afetar desde a alimentação até a autoestima e o convívio social. “O sorriso abre portas, melhora a convivência e devolve a confiança. Muitas vezes, estamos realizando sonhos de pessoas que esperaram anos por isso”, destacou Alex.
O programa Vida Ativa 60+ segue como um espaço importante de informação e cidadania, levando ao público temas essenciais para um envelhecimento mais saudável e ativo — mostrando que cuidar da saúde bucal é, também, cuidar da vida como um todo.