BEM BRASIL
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Postado em: 28/04/2026 - 11:24 Última atualização: 28/04/2026
Por: Manoelita Chagas / Rogério Farah- Portal Imbiara

Condições de rodovias preocupam motoristas e expõem desafios da malha viária em Araxá

Problemas como buracos, falta de acostamento e sinalização deficiente afetam trechos estratégicos e impactam economia regional

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Imagem criada com IA

Motoristas que trafegam pelas rodovias que passam por Araxá e conectam o município a outras cidades do Alto Paranaíba e do Centro-Oeste mineiro enfrentam dificuldades constantes devido às más condições de parte das estradas. A situação, que se repete há anos, voltou a ganhar atenção diante de dados recentes sobre a qualidade da malha rodoviária em Minas Gerais, divulgados pela Confederação Nacional do Transporte. Os levantamentos mostram que os problemas vão além da realidade local e refletem um cenário mais amplo no estado.

Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, que avalia anualmente aspectos como pavimento, sinalização e geometria das vias, Minas Gerais possui uma das maiores extensões rodoviárias do país, o que amplia os desafios de manutenção. Em 2025, foram analisados 15.557 quilômetros de estradas mineiras, com identificação de 138 pontos críticos — locais com erosões, quedas de barreira ou buracos sem sinalização adequada.

Os dados também indicam que apenas 34,6% dos trechos avaliados foram classificados como “ótimos” ou “bons”, enquanto 27,5% receberam avaliação “ruim” ou “péssima”. O estudo aponta ainda a necessidade de cerca de R$ 15,84 bilhões em investimentos para recuperação e manutenção das rodovias no estado. Como consequência direta, o custo operacional do transporte aumentou em 34,8%, principalmente devido ao desgaste de veículos.

Rodovias estratégicas concentram queixas

Na região de Araxá, algumas rodovias são consideradas fundamentais tanto para a mobilidade quanto para o escoamento da produção. Entre elas estão a MG-428, que liga o município a Sacramento e à divisa com São Paulo; a MG-187, utilizada diariamente por trabalhadores e transportadores até cidades como Ibiá; e a MG-452, importante conexão com Uberlândia, um dos principais polos econômicos do Triângulo Mineiro.

A BR-262, rodovia federal que atravessa Minas Gerais e conecta Araxá a cidades como Uberaba e Belo Horizonte, também é uma das mais movimentadas. Apesar disso, especialistas apontam que, de modo geral, as rodovias federais recebem mais investimentos em manutenção e duplicação, enquanto as estaduais enfrentam maior dificuldade estrutural.

Diferença de investimentos entre esferas públicas

A disparidade nos investimentos ajuda a explicar parte do problema. O governo federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, direciona recursos significativos para rodovias federais, priorizando melhorias no pavimento, segurança e ampliação de capacidade.

Já o governo de Minas Gerais, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, é responsável por uma malha muito mais extensa, que ultrapassa 20 mil quilômetros de rodovias estaduais. Esse volume torna a manutenção um desafio constante, já que os recursos disponíveis precisam ser distribuídos por toda a rede, limitando intervenções mais profundas.

Impactos na economia e no dia a dia

A precariedade das estradas tem impacto direto na rotina de quem depende delas. Motoristas que circulam entre Araxá, Patos de Minas e Campos Altos relatam a necessidade de atenção redobrada, principalmente à noite e em períodos de chuva. Além do risco de acidentes, há aumento no custo de transporte, desgaste prematuro de veículos e dificuldades logísticas.

A região possui forte atividade agropecuária, mineral e turística, o que torna a qualidade das rodovias um fator estratégico para o desenvolvimento econômico. Estradas em más condições podem comprometer desde o escoamento da produção até a atração de visitantes.

Desafio histórico e perspectivas

Minas Gerais enfrenta historicamente o desafio de manter a maior malha rodoviária do Brasil. Especialistas defendem que a solução passa por uma combinação de medidas, como ampliação de investimentos públicos, concessões à iniciativa privada e planejamento logístico de longo prazo.

Enquanto novos projetos são discutidos e anunciados, a realidade para quem trafega diariamente pelas rodovias que passam por Araxá ainda exige cautela. A expectativa, segundo especialistas do setor, é de que os investimentos previstos se convertam, nos próximos anos, em melhorias concretas na segurança e nas condições de tráfego em toda a região.