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Postado em: 20/10/2026 - 15:42 Última atualização: 20/10/2026 - 15:49
Por: Manoelita Chagas/Caio César - Portal Imbiara

Araxá recebe ação educativa com simulador de capotamento para conscientizar sobre segurança no trânsito

Atividade realizada no Calçadão da rua Presidente Olegário Maciel oferece experiência de capotamento em ambiente controlado e simulações de direção sob efeito de álcool, drogas, sono e fadiga

O público também teve acesso a óculos de realidade virtual capazes de reproduzir situações relacionadas à alteração da capacidade de condução. Foto: Caio César

Quem passou pelo Calçadão da Rua Presidente Olegário Maciel, em Araxá, teve a oportunidade de vivenciar uma experiência pouco comum: sentir, de forma controlada, os efeitos de um capotamento de veículo. A iniciativa foi promovida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e teve como objetivo chamar a atenção da população para os riscos e as consequências de comportamentos inadequados no trânsito.

A ação contou com um simulador de capotamento instalado sobre uma carreta. O equipamento permite que o participante entre no veículo e experimente a sensação de um capotamento, em um ambiente preparado e seguro. A proposta é transformar uma situação que normalmente só seria conhecida em um acidente real em uma experiência educativa capaz de provocar reflexão sobre a importância da prevenção.

Durante a atividade, a chefe de fiscalização do DER, Cíntia Araújo, explicou que a iniciativa foi pensada justamente para aproximar o público dos riscos presentes no trânsito. "Essa ação foi uma iniciativa do DER para conscientização sobre a importância da educação para o trânsito. Esse simulador permite que o usuário tenha a experiência de um capotamento em um ambiente controlado."

Experiência busca provocar reflexão nos motoristas

Além do impacto da experiência, a ação reforçou comportamentos fundamentais para reduzir a ocorrência e a gravidade dos sinistros. Entre as orientações estão o respeito aos limites de velocidade, a proibição de dirigir sob influência de álcool ou outras substâncias psicoativas e a utilização correta do cinto de segurança.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a velocidade, o consumo de álcool e outras substâncias psicoativas e a falta do cinto de segurança entre os principais fatores associados ao risco de acidentes e à gravidade das lesões. Segundo a entidade, o uso do cinto pode reduzir em até 50% o risco de morte entre ocupantes de veículos.

A velocidade também representa um fator determinante. De acordo com a OMS, cada aumento de 1% na velocidade média está associado a um crescimento de aproximadamente 4% no risco de um acidente fatal.

A experiência oferecida em Araxá procura justamente transformar essas informações em uma percepção concreta. "Isso dá para a pessoa até aquele impacto emocional. Quando ela for pegar a direção, realmente vai ter um pouco mais de consciência e pensar nos riscos que pode estar correndo se não se atentar a essas regras de segurança", destacou Cíntia.

A reação de quem participa também faz parte da estratégia de conscientização. Segundo a responsável pela ação, a sensação proporcionada pelo simulador costuma surpreender os participantes. "As pessoas realmente sentem que a sensação é muito ruim. A ideia é que elas percebam, na prática, o que significa estar dentro de um carro capotado."

Chefe de fiscalização do DER, Cíntia Araújo. Foto: Caio César

Realidade virtual simula álcool, drogas e fadiga

A programação não ficou restrita ao simulador de capotamento. O público também teve acesso a óculos de realidade virtual capazes de reproduzir situações relacionadas à alteração da capacidade de condução.

As simulações mostram como podem ser comprometidos os sentidos e a percepção de uma pessoa ao dirigir sob influência de álcool e outras substâncias psicoativas. O equipamento também aborda uma condição que muitas vezes é subestimada pelos motoristas: o sono e a fadiga. "Nós temos também óculos de realidade virtual, que simulam você estar sob a influência de álcool e outras substâncias psicoativas, e até mesmo sono e fadiga, que às vezes as pessoas não consideram como um fator de muito risco", explicou Cíntia.

A preocupação encontra respaldo em recomendações internacionais de segurança viária, que tratam a condução sob efeito de álcool e outras substâncias como um importante fator de risco para acidentes graves.

Brasil registrou mais de 26 mil mortes no trânsito em 2024

A importância de ações educativas como essa ganha dimensão diante dos números nacionais. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), compilados no Mapa da Segurança Pública 2025, apontam que o Brasil registrou 26.138 mortes no trânsito ou em decorrência dele em 2024, uma média de aproximadamente 71 vítimas fatais por dia.

O número representou aumento de 8,94% em relação a 2023, quando foram registradas 23.992 mortes. A taxa de mortalidade no trânsito também subiu, passando de 11,33 para 12,30 mortes por 100 mil habitantes.

Os dados estatísticos de sinistros de trânsito também são reunidos pelo Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (RENAEST), mantido pelo Ministério dos Transportes, com informações por localidade, período, tipo de veículo e perfil das ocorrências.

Nesse cenário, a educação para o trânsito atua como uma das ferramentas de prevenção, especialmente quando consegue aproximar a população dos riscos que muitas vezes são percebidos apenas depois de um acidente.

Equipamento é utilizado pela primeira vez em Araxá

De acordo com Cíntia Araújo, esta foi a primeira vez que o simulador de capotamento foi levado pelo DER para Araxá. A presença do equipamento no centro da cidade permitiu que moradores e pessoas que circulavam pelo Calçadão participassem da atividade.

A ação é realizada das 9h às 16h, com participação aberta ao público. A intenção, segundo a representante do DER, é continuar promovendo atividades que levem a mensagem de segurança para diferentes públicos. "É a primeira vez que esse equipamento vem para Araxá, e os usuários têm gostado bastante. A gente busca sempre promover ações de educação para o trânsito e fazer o convite para que a população participe", afirmou.

Para o DER, a proposta é fazer com que a experiência ultrapasse o momento de curiosidade e provoque uma mudança de comportamento ao volante. A expectativa é que quem participe do simulador leve consigo a percepção de que excesso de velocidade, álcool, drogas, fadiga e a falta do cinto podem transformar uma situação cotidiana em uma ocorrência de consequências graves.

Ao unir tecnologia, experiência prática e informação, a ação busca reforçar uma mensagem simples: no trânsito, atitudes preventivas podem fazer a diferença entre chegar ao destino em segurança e se tornar mais uma vítima de um sinistro.